O gerente de Transportes da CMTU, Wilson de Jesus, acredita que a redução da participação de isenções e descontos no transporte coletivo é "positiva", porque desonera o sistema. Ele argumenta que também vem ocorrendo uma mudança cultural em Londrina, com menos reivindicações por isenções.
Jesus aponta que, até 2011, a CMTU recebia por ano entre três e quatro pedidos de isenções de determinados grupos. As solicitações vinham por meio de várias instâncias: entidades assistenciais, associações de moradores, da Câmara Municipal. Em julho de 2011, por meio de lei, o último grupo de isentos foi contemplado – integrantes do Tiro de Guerra, guardas municipais e policiais militares. Desde então, segundo Jesus, não ocorreram novos pedidos de isenções.
"Desde o primeiro debate sobre os subsídios (ao transporte coletivo), em 2010, fizemos diversas exposições explicando o que as gratuidades representavam e qual era a fonte de financiamento delas. As pessoas passaram a ver que quem pagava era o próprio sistema, ou seja, o próprio usuário", afirma o gerente.
A respeito de movimentos que ainda reivindicam gratuidades, como o Passe Livre, Jesus argumenta que o assunto precisa ser debatido para que se saiba como isso seria custeado.
"O município está fazendo o possível, como no caso dos estudantes da 1ª à 5ª série. Estudos estão sendo feitos. O prefeito (Alexandre Kireeff) está vendo a possibilidade de o Estado assumir o que cabe a ele, ou seja, os ensinos Fundamental 2 e Médio. Temos debates na esfera federal, do governo abrir mão de algum imposto. É uma discussão nacional", explica o gerente.
Em junho do ano passado, em meio às manifestações que ocorreram em todo o País, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), apresentou um projeto de lei que criaria o passe livre estudantil em âmbito nacional, com passagem gratuita no transporte coletivo para alunos dos ensinos Fundamental, Médio e Superior. O projeto prevê que o benefício seria custeado pela União, por meio de royalties oriundos do petróleo. Atualmente, a matéria está com a relatoria na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado.
A aposentada Maria José Fonseca, 75 anos, de Londrina, elogia a isenção da tarifa para idosos, mas cobra ampliação do benefício para outros públicos. "Precisava ter passe livre para todos os deficientes físicos. O meu filho tinha, cortaram e agora não tem mais", critica. A lei municipal que rege as gratuidades e descontos no transporte coletivo de Londrina estabelece a isenção para pessoas com deficiência física, mental e sensorial e acompanhantes apenas "em caso de comprovada necessidade". (F.G.)

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