TRANSPORTE AÉREO - Clubes e condomínios aeronáutico ganham espaço
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sábado, 11 de outubro de 2014
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
"Com valores a partir de R$ 200 mil já é possível comprar um avião monomotor em bom estado. Por tratar-se de um bem durável, que pode ser usado por muitos anos se receber a devida manutenção, compensa para quem não tem tempo a perder." A afirmação é do piloto agrícola José Marcelo Morandi, revelando alguns dos principais motivos do crescimento da aviação geral.
O também piloto e importador de aeronaves Marcelo Augustus Furtado Montezuma, mais conhecido como Marcelo Baratão, concorda que o setor viveu um boom nos últimos cinco anos, e calcula que o número de aeronaves executivas na cidade já esteja na casa de 200. "99% é para uso particular", diz. Ele compartilha da ideia de que o brasileiro está aprendendo a usar o avião como ferramenta de trabalho. "É um bem de durabilidade longa. Mas compensa para quem usa bastante. Londrina, como todo grande centro, tem um alto custo de hangaragem", ressalta, lembrando que os proprietários locais têm que desembolsar em torno de R$ 1 mil por mês pelo aluguel de um hangar. Em São Paulo, porém, este custo pode chegar a R$ 6 mil mensais. "Por isso estão se tornando tão comuns os clubes e condomínios de aviação."
Montezuma, que fez curso de piloto privado e comprou seu primeiro avião em 2002 para viagens de lazer, transformou este veículo de transporte em seu principal negócio. Ex-comerciante de confecções, ele fez as primeiras importações em 2008, motivado pelo mau momento da economia americana, que levou à queda do dólar e à diminuição dos preços. Atualmente a venda de aviões é seu principal negócio e, no dia da entrevista, mantinha 14 aeronaves em sua frota. "Hoje em dia eu quase não viajo de carro, só uso mesmo para me locomover na cidade. Acho que a cada viagem de carro que faço para São Paulo, faço umas 50 de avião."
O empresário afirma que Londrina tornou-se uma referência em aviação, com muita gente desenvolvendo atividades ligadas ao setor e duas oficinas para atender à demanda por serviços de manutenção. De olho neste interesse crescente, Montezuma
ampliou o leque de negócios e passou a investir em condomínios aeronáuticos - um em Londrina e outro na Flórida (EUA).
O empreendimento americano conta com estrutura completa para proprietários de aeronaves aterrissarem no próprio local onde moram, com taxiways (faixas de pista para circulação de aeronaves), pista de pouso e hangares ao lado das casas. Já o condomínio londrinense, localizado ao lado do Aeroporto 14 Bis, na Warta (Zona Norte), tem sido comercializado para construção de hangares. "Hoje 90% da minha receita é ligada à aviação", admite o empresário.


