A prevalência de carros, motos e outros veículos particulares sobre o ônibus está se acentuando nos principais centros urbanos do Paraná. Segundo dados obtidos pela FOLHA, nas três maiores cidades paranaenses a busca pelo transporte privado vem aumentando muito mais do que a procura pelo transporte público nos últimos anos. Em Curitiba, a frota de veículos automotores cresceu 29,97% entre 2007 e 2012; em Londrina, o aumento foi de 38,99%, e em Maringá, de 49,01%.
Por outro lado, em cinco anos o número de usuários do transporte coletivo variou apenas 7,12% em Londrina e 6,67% em Maringá, enquanto em Curitiba houve até um pequeno decréscimo (2,15%).
Com mais veículos em circulação, mais poluição, congestionamentos e acidentes. Segundo informações do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR), em Maringá, que registrou aumento mais acentuado de frota entre as maiores cidades paranaenses, ocorreram 3,9 mil acidentes no primeiro semestre deste ano - 2,1 mil deles tiveram vítimas. Foi o maior número de acidentes do Estado, superior até mesmo a Curitiba, onde foram registradas 3,8 mil ocorrências no período.
''Uso carro pelo meu trabalho e porque preciso levar minha esposa ao serviço. Com o ônibus, falta conforto, está sempre lotado, às vezes demora para chegar. A gente perde muito tempo se locomovendo de ônibus'', afirma o representante comercial Wladimir Elias Cecílio, morador de Maringá. A diarista Maria Mariano Beraldo elogia o transporte público da cidade, mas diz que o aumento da frota tem interferido na qualidade do serviço. ''É muito congestionamento, tem dias que quase batem nos ônibus'', relata.
Joel Kruger, presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR), acredita que ''não há como frear o aumento de frota, já que ter um veículo é um desejo de todo brasileiro''. ''O que se deve fazer é evitar que essa frota entre em circulação a maior parte do tempo. O transporte privado deve ser usado eventualmente, e o público, diariamente. Mas, para isso, o transporte público precisa ter qualidade. O que se vê hoje são ônibus lotados nos horários de pico, pouca disponibilidade de horários, entre outros problemas'', diz Kruger.
O presidente do Crea-PR considera que nas principais cidades do Paraná o trânsito está próximo do esgotamento. ''Estamos com uma situação preocupante em termos de conforto da população. Em Curitiba, no início da manhã e no final da tarde, já há um esgotamento. Em Londrina e Maringá, considerando a escala, também'', explica.
Aumento de renda
Um estudo recente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que, em 2009, os moradores das nove principais regiões metropolitanas brasileiras gastavam cinco vezes mais com transporte privado do que com transporte público.
O aumento da renda foi apontado como o principal responsável pela maior aquisição de veículos. O Ipea considerou ainda que a inflação para o transporte privado foi menor do que para o público. Entre 2003 e 2009, a variação dos preços de automóveis novos (crescimento de 19%), motocicletas (12,1%) e gasolina (27,5%) ficou abaixo da inflação do período, que foi de 41,8%, enquanto a tarifa média do ônibus urbano ficou acima, com um aumento acumulado de 63,2%.

mockup