O desrespeito às leis de trânsito está mais comum nas ruas, avenidas e estradas paranaenses. De acordo com estatísticas da Coordenadoria de Infrações do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR), entre janeiro e setembro deste ano as autoridades do setor emitiram aproximadamente 1,89 milhão de autuações em todo o Estado. Esse número representa um crescimento de 76% em relação ao registrado nos nove primeiros meses de 2007, quando 1,07 milhão de infrações foram computadas.
  As irregularidades mais comuns do início de 2012 até o mês passado foram transitar em velocidade superior à máxima permitida em até 20%, estacionar em desacordo com a regulamentação e avançar o sinal vermelho (veja infográfico nesta página).
  O Paraná, assim como ocorreu em todo o Brasil, teve um crescimento expressivo da frota nos últimos cinco anos, em razão do aumento de renda da população, dos incentivos fiscais para o setor automotivo e do crédito farto para a compra de veículos. Porém, a frota paranaense cresceu no período 46%, menos do que a variação do número de infrações.
  Em 2007, considerando a proporção entre infrações de trânsito e a frota paranaense, 28 em cada 100 veículos haviam sido autuados nos nove primeiros meses do ano. No mesmo período de 2012, a proporção foi de 33 infrações registradas a cada grupo de 100 veículos.
  Esses números indicam que a quantia maior de veículos em circulação não é a única justificativa para a disparada nas estatísticas de desobediência às leis de trânsito. A coordenadora do setor de infrações do Detran-PR, Marli Batagini, aponta que em 2009 o registro de infrações e da respectiva pontuação mudou, o que pode ter contribuído para o aumento nos números. ‘‘Se um condutor ou veículo cadastrado no Paraná comete infração em outro Estado, ela é computada aqui’’, explica.
  Em todo caso, a coordenadora observa que o desrespeito às leis de trânsito tem realmente se tornado mais comum. ‘‘Tivemos aumento da frota e o número de condutores também continua crescendo no Paraná. Nesse processo, também aumenta a quantia de infrações. É um tripé com elementos muito ligados. O fator principal é o desrespeito ao Código de Trânsito Brasileiro’’, diz Marli.
  ‘‘Quando se constata que mais de 60% dos que tentam tirar carteira são reprovados no exame prático, dá para ver que as pessoas estão mal preparadas. Ao mesmo tempo, muitos pegam a carteira e vão para a rua, portanto, acabaram de aprender sobre a legislação de trânsito, e cometem infrações. Ou esses motoristas não ‘internalizaram’ esse conhecimento, ou realmente não se importam com as leis e a conduta. A infração mais comum é exceder o limite de velocidade em até 20%. Tanto o recém-habilitado quanto o condutor com vários anos de carteira pensa, ‘é só um pouco acima do limite de velocidade, isso não é nada’. É comportamental, cultural. Vem da educação e da família’’, aponta a coordenadora.
  ‘‘Uma lei que ‘pegou’ foi a do cigarro, da proibição de fumar em lugares públicos: as pessoas estão respeitando porque os outros estão cumprindo e cobrando para que todos a respeitem. No trânsito, há uma visão individualista. A pessoa se enxerga sozinha dentro do carro e não pensa coletivamente’’, diz Marli.

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