TRÂNSITO - Álcool X volante: combinação perigosa
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sábado, 07 de setembro de 2013
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 
A combinação entre álcool e direção não é a única causa de acidentes de trânsito entre os jovens, mas está entre as que mais preocupam. O trabalho e pesquisa inéditos no Brasil do psiquiatra Valdir Ribeiro Campos, em seu doutorado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), levantou que de 2005 a 2007 cerca de 30% dos motoristas - com idade entre 20 e 30 anos - parados aleatoriamente nas cidades de São Paulo, Belo Horizonte e Vitória apresentavam índice de álcool superior ao permitido na época (6 decigramas por litro de sangue). "Este número era cinco vezes maior que em muitos países em desenvolvimento semelhante ao do Brasil", afirma
A pesquisa em questão foi realizada em postos de checagem de sobriedade, juntamente com blitze, porém, sem que as informações fossem compartilhadas com a polícia. "Nessa época, não existia nenhuma política de fiscalização com etilômetro consistente ainda no País." Segundo ele, aparentemente, muitos não apresentavam sinais de embriaguez, "mas com a realização do teste, comprovava-se o uso de bebida". "Isso fez com que as autoridades se atentassem à importância de ferramentas como o bafômetro." No mesmo ano, o psiquiatra teve acesso a uma pesquisa do Instituto Médico Legal (IML) de São Paulo que apontava que mais de 50% dos corpos eram oriundos de acidentes de trânsito por causa do álcool.
Já em 2009, um ano após a antiga Lei Seca, que permitia até dois decigramas de álcool, os testes foram repetidos e comprovou-se que, nos locais onde a fiscalização permaneceu, os índices caíram pela metade. "Apesar do número continuar alto, reforçou nossa tese de que políticas consistentes e contínuas são eficazes na redução de embriaguez ao volante." Para completar, ele ainda acompanhou a rotina de atividades do Hospital das Clínicas (HC) de São Paulo, onde os médicos relataram diminuição considerável no número de acidentes nas noites de fins de semana ocasionados pelo abuso do álcool.
Para ele, cuja pesquisa foi considerada de grande relevância social e saúde pública pelos órgãos fiscalizadores, o Brasil ainda está em processo embrionário nas políticas públicas para redução de acidentes. "Temos atualmente, uma das leis mais rigorosas do mundo. Precisamos melhorar sua credibilidade aplicando as punições de fato, mas sobretudo, mais rapidamente", sugere.
Outra pesquisa cujos dados chamam à atenção, segundo Déborah Malta, diretora de Análises de Situação de Saúde do MS, é da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), que levantou que das 46 mil pessoas entrevistadas nas capitais brasileiras em 2011, 7% das pessoas afirmaram ter bebido e dirigido em seguida. A faixa entre 18 e 24 anos ficou em 10%. Quando separados por sexo, somente a taxa masculina da mesma faixa de idade subiu para 16,5%. Essa média ficou em 8% na média geral e 15% entre o público masculino.
Diante dos dados, de acordo com ela, os jovens permanecem com os comportamentos de risco, pois têm a sensação de imunidade e que nada de ruim vai ocorrer. "A falsa sensação de segurança os coloca em grande exposição. Essa faixa de idade combinada ao uso de álcool e direção, resultam em maior vulnerabilidade." Ela atenta ainda para os recursos de fiscalização acompanhem a tecnologia que facilitam as fraudes, como os aplicativos de smartphones que avisam onde estão acontecendo blitze ou existem radares de velocidade. (M.T.)


