Marian Trigueiros
Reportagem Local
O início do verão traz fortes pancadas de chuva e a preocupação que novos desastres naturais aconteçam. Infelizmente, seis meses após a última enchente que afetou 11,8 mil pessoas, deixando 60 famílias desabrigadas, a situação do município de Jataizinho, no Norte do Estado, é a mesma: a população ribeirinha continua morando na região inundada pelas águas do rio Tibagi e seus afluentes.
  O mais agravante é que a ocorrência é recorrente no município, principalmente no período de chuvas. A água do rio sobe rapidamente e toma conta das residências, destruindo tudo. Aos poucos as famílias reconquistam o que perderam, mas dizem que não vão sair das casas que podem ser atingidas novamente a qualquer momento.
  Ao passar pelas áreas tomadas pela última enchente em Jataizinho, não dá para imaginar que parte das casas ficaram submersas. Alguns moradores mudaram-se de lá, mas muitos continuam nas residências por não ter para onde ir. A dona de casa Izabel de Souza Nogueira, que há oito anos mora na Vila Frederico, bem perto de um córrego, diz que neste período já passou por três enchentes. ‘‘Quando não para de chover durante dias, já começo a ficar preocupada. Mas este foi o único lugar que conseguimos adquirir. Comprar, ninguém quer’’, relata.
  Na mesma rua, Luciana Gonçalves ainda recupera o pouco que tinha dentro da casa onde mora há um ano. No interior de sua moradia, ela mostra a altura da água que acabou com tudo. ‘‘A água entrou e foi levando e destruindo tudo.’’ Temendo que o drama que viveu com os filhos se repita, tenta encontrar outro lugar para morar antes que o período de chuvas comece. ‘‘Tenho medo que venha outra enchente pior.’’
  Récem-chegada de São Paulo, a doméstica Carmélia Alves, moradora do jardim Maria Júlia, conta com detalhes o desespero da experiência. ‘‘Tivemos de sair pela janela tamanha era a força e a quantidade de água que vinha. Depois que a água baixou, era muita lama. Perdemos tudo o que compramos meses antes. Aos poucos, ganhamos alguma coisa ou outra e tentamos reconquistar. Agora, quero sair daqui, mas não tenho para onde ir.’’
  De acordo com Dorival Duartes, coordenador da Defesa Civil de Jataizinho, os moradores da região, que fica em fundo de vale, não estão irregulares, pois pagam IPTU. ‘‘Primeiramente, é preciso haver um projeto de moradia para transferi-los de local. Em segundo lugar, fazer reflorestamento de toda área. Só assim, vamos conseguir driblar o problema’’, esclarece. Enquanto isso, o município ainda sofre com a falta de repasse federal dos estragos. ‘‘Recebemos em agosto deste ano, colchões que eram para ter vindo em 2010. Alguns dos locais que recuperamos agora, foram com recursos próprios’’, diz.

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