Londrina - Parte da população brasileira está no lugar errado, no momento errado. São crianças e adolescentes que, em vez de dedicar as horas do seu dia ao estudo, ao lazer e a práticas esportivas, como seria de se esperar, estão em lavouras, canteiros de obras, fábricas de fundo de quintal ou, o que é mais comum no caso das meninas, assoberbados com tarefas domésticas. Além de não ter acesso à qualificação que os garantiria um futuro profissional mais promissor, estes jovens são mais suscetíveis a problemas de saúde, como disfunções causadas por esforço excessivo.

É justamente neste ponto - a área da saúde - que o Paraná quer fechar o cerco ao trabalho infantil. Por meio de uma parceria entre a Secretaria Estadual de Saúde e o Ministério Público do Trabalho, as secretarias municipais de Saúde vêm sendo incentivadas a notificar as ocorrências relacionadas ao assunto. Isto porque há indícios de que os acidentes de trabalho envolvendo crianças são subdimensionados. Um deles diz respeito aos registros de mortes, que são maiores que as notificações.

''Passamos a pesquisar a ocorrência de óbitos por acidentes de trabalho e os números nos chamaram a atenção'', observa o médico Gilberto Martin, que atua no Centro Regional de Saúde do Trabalhador (Cerest), da 17 Regional de Saúde, em Londrina. Segundo ele, nem sempre os casos que resultam em morte por acidente de trabalho foram notificados anteriormente como tal. Daí a importância, defende Martin, de intensificar o registro destas ocorrências, por meio da ficha do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). ''Ela desencadeia uma investigação posterior e a definição de ações, inclusive por parte do Ministério Público'', completa o médico.

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