Trabalho é inspirado em educador francês
PUBLICAÇÃO
sábado, 28 de julho de 2001
De Mandirituba 
O que há em comum entre crianças que viveram uma realidade pós-guerra, na França, e meninos de rua do Brasil? Aparentemente as situações são bem distintas, mas uma pedagogia que aposta na educação como instrumento de ação social foi capaz de unir as duas coisas. Graduado em Filosofia pela Pontíficia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), Fernando de Góis se inspirou no educador francês Celestin Freinet (1896-1966) para desenvolver o trabalho na Chácara Meninos de Quatro Pinheiros.
Assim como Freinet, considerado personagem fundamental na história das experiências educacionais, Góis trocou a filosofia calcada na disciplina rígida por uma método natural de ensino. O educador francês buscava no conhecimento das crianças, relações com o trabalho e educação. Dessa forma, cotidianamente as crianças construiam uma nova realidade de vida, relacionamento e cooperação.
É o que acontece na Chácara dos Meninos de Quatro Pinheiros. Juntos eles desenvolvem as regras disciplinares. Com o apoio dos educadores que em sua maioria também foram meninos de rua eles apontam as necessidades, os problemas e criam as próprias soluções. Para isso, o respeito ao indivíduo e ao grupo são pólos essenciais ao trabalho.
Um exemplo foi a dinâmica desenvolvida durante três meses para abordar a questão das drogas. Divididos em grupos, os meninos buscaram nas experiências vividas no dia a dia elementos que não se misturam, como óleo e água, para mostrar como uma pessoa deve se relacionar com as drogas.
Esse e outros temas relacionados à realidade dos garotos é discutido quase que diariamente, em reuniões bastante informais. O momento também é apropriado para as gincanas temáticas, que vão dar aos grupos vencedores prêmios como passeios, guloseimas ou atividades especiais. Nessa hora, todos participam das brincadeiras e independente da idade e condição social agem como indivíduos em busca de um sonho único: a felicidade. (K.M.)


