Toque de classe debaixo dos pés
PUBLICAÇÃO
domingo, 20 de abril de 1997
Danielle Brito Especial para Casa & Cia 
DivulgaçãoBonitos e de fácil manutenção, os assoalhos de tábuas corridas utilizam madeiras nobres como o ipê ou o marfimOs pisos de madeira valorizam qualquer obra com a vantagem de levar para dentro de casa um produto natural que pode conferir rusticidade ou requinte de acordo com a forma com que é utilizado. Este filão do mercado de decoração oferece uma gama de tamanhos, tipos de madeira e espessuras para quem deseja um piso nobre com qualidade térmica, durabilidade e um toque de classe. Das madeiras escuras como o ipê e o jatobá até as mais claras como o marfim e o lambril passando pelo carvalho, cumaru, imbuia, peroba e cedro há sempre uma opção para cada gosto e tipo de ambiente.
Confeccionados geralmente em madeiras duras, este tipo de piso garante resistência em locais da casa onde o tráfego é maior. As madeiras mais usadas são o ipê e o jatobá, encontradas nas boas casa do ramo. Os cortes da madeira são variados, o cliente pode escolher os tradicionais tacos, os tacões (10 x 40cm), parquet (tacos pequenos), lamparquet ou os assoalhos de tábua corrida (com 10,15 ou 20 cm de largura e até 3 cm de espessura). Os preços são compatíveis com a qualidade e grossura da madeira. O metro quadrado de um assoalho de ipê com 2,5 de espessura, por exemplo, pode chegar a R$ 45,00 enquanto o de jatobá varia entre R$ 22,00 e R$ 27,00 o m2.
Opção modernaA possibilidade de reaproveitamento - podem ser lixados e sintecados várias vezes -, confere aos pisos de madeira uma vida útil satisfatória. Quem está pensando em renovar algum ambiente da casa pode optar pela madeira clareada, uma tendência atual de decoração que confere leveza e modernidade aos ambientes.
Marcos BorgesAssoalhos clareados por processo químico: uma tendência da decoração
Este tipo de acabamento é feito em pisos de madeira maciça a partir de uma lavagem nas tábuas com produtos químicos. Depois de descolorido, o piso está pronto para o sinteco, que pode ser brilhante, semi-brilhante ou fosco. Com o clareamento, o piso também pode receber uma tinta da cor desejada antes do sinteco. Na realidade é quase uma pátina. A diferença é que você tem que descolorir a madeira, conta Fernando Luiz Massaro, especialista em pinturas de madeira, em Londrina. Ele explica que para ser clareada, a madeira deve estar bem lixada. Em cima de um sinteco velho é impossível. O segredo está na lavagem, afirma.
O arquiteto de interiores Álvaro Cortes, também de Londrina, afirma que os pisos de madeira descolorizada destacam melhor o mobiliário, tapetes e objetos, elementos que são absorvidas quando o piso é escuro. Há uma unificação entre piso, teto e parede. Um ambiente monocromático dá mais liberdade sem muita interferência, acredita. Pode-se ter a liberdade, por exemplo, de ousar nas cores, uma tendência atual da decoração. O arquiteto indica o sinteco semi-brilhante. Um pouco de brilho mostra uma transparência dentro dessa tendência de ser livre, valoriza o ambiente e dá um aspecto mais suave, diz. De acordo com ele, o sinteco brilhante é mais indicado para ambientes comerciais porque espelha os objetos e cria uma repetição visual. Já o sinteco fosco é mais apropriado para varandas.
A tonalidade do piso clareado varia conforme a qualidade e o tratamento dado à madeira. O banho de óxido de titânio confere um tom esbranquiçado ao piso. Já a soda cáustica deixa a madeira mais acinzentada, como tábua velha, um toque rústico para as varandas e ambientes informais. A beleza desses processos de acabamento deve-se ao fato de que a madeira fica totalmente à mostra, com seus desenhos originais. A madeira escura esconde parcialmente os veios. O desenho do piso é tão importante quanto o seu uso, revela Álvaro Cortes.
A forma de aplicação influencia no resultado satisfatório. O desenho destaca a claridade e vice-versa. Quando o piso é colocado na direção da luz o efeito será maior. Tábuas colocadas na transversal possibilitam uma visibilidade menor dos veios. Outra tendência que volta é a marchetaria (técnica de formar desenhos) que pode utilizar dois tons de madeira clareada ou combinar têxturas como madeira/mármore e madeira/granito. Para Cortes esse estilo é mais apropriado para halls de entrada e circulações. Valorizando o piso evita-se o uso de tapetes, destaca.


