A advogada trabalhista Andréia Cândida Vitor, de 39 anos, relata que foi torturada física e psicologicamente por policiais militares no Bairro Alto, em Curitiba, em novembro do ano passado. Naquele dia, PMs realizaram uma abordagem para localizar um rapaz flagrado andando de moto sem capacete. O jovem fugiu para os fundos de uma casa e, segundo Andréia, os policiais levaram para a rua todas as pessoas que estavam na residência. Vários moradores do Bairro Alto testemunharam a abordagem.
"Eu estava assistindo à ação, porque sou vizinha daquela área. Vi que (a abordagem) estava muito acintosa, além do necessário, mas eu estava apenas testemunhando para eventualmente fazer um relato depois. Mas os policiais começaram a xingar quem estava vendo. Eu falei que não havia necessidade deles me ofenderem daquela forma, e então me deram voz de prisão", descreve Andréia.
A advogada conta que ela e um grupo de rapazes foram levados para uma praça, onde teria ocorrido a tortura. "O nome da praça é, dá até uma tristeza lembrar do nome. Eles nos obrigaram a ficar ajoelhados, olhando para o chão. Todos nós fomos vítimas de agressões físicas e xingamentos", afirma. As ofensas incluíram frases racistas. Depois, a advogada foi levada para uma delegacia, onde ficou presa da meia-noite até cinco horas da manhã.
Andréia denunciou o caso na Associação Paranaense de Advogados Criminalistas, no Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e na Corregedoria da PM. A advogada ainda está respondendo a processo por desacato contra os policiais militares.
"O que fica é uma sensação de impotência e de total ausência de segurança. Hoje, se eu for agredida por alguém, sinto que não tenho a quem recorrer, pois quem deveria me atender causou um trauma enorme a mim e a outras pessoas. Tenho cuidado para não generalizar, o lado racional me diz que são pessoas dentro de uma instituição (que praticaram a tortura), e eu tenho sorte de conhecer pessoas boas dentro da polícia. Mas o primeiro sentimento é sempre esse (de receio)", desabafa.
A defesa de Andréia informou que o Gaeco aguarda o envio de cópia do procedimento interno da Polícia Militar para decidir que medidas vai tomar para tentar responsabilizar os PMs envolvidos. (F.G.)

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