Terreiros reúnem várias gerações
Embora restritas inicialmente à população de negros escravizados nas senzalas e quilombos, as religiões afro-brasileiras prosperaram durante os séculos, mais ainda com a abolição da escravatura, e, atualmente, estão presentes em todos os cantos do país, agregando várias classes sociais. Como presenciou a reportagem, nas datas festivas, os terreiros de candomblé costumam abrir as portas à população e outros participantes.
José Demerval de Souza, de 45 anos, chamado de Obalogy, é o pai de santo responsável pelo terreiro de candomblé que a Folha visitou em Ibiporã. Teve seu primeiro contato com a religião aos 15 anos e "fez o santo" aos 25 anos. "Logo depois já abri meu terreiro, que já tem mais de vinte anos; cada tijolo foi erguido com muito suor. Mas posso dizer que o candomblé é um aprendizado constante. E, além da luta social, temos, hoje, a luta para conseguir manter a tradição entre os filhos de santo", afirma.
A mãe de santo mais antiga em Londrina é Ya Katule, cujo nome civil é Maria Benedito Menezes. Aos 78 anos de idade, dedicou e ainda dedica a vida ao candomblé. "A religião bateu em meu coração e sabia que tinha uma missão a cumprir. Tudo o que aprendi está guardado aqui na minha cabeça", diz ela, que não possui seu próprio terreiro, mas ajuda a comunidade e outros espaços com frequência.
Já a mais nova mãe de santo do candomblé na cidade é Camila Tássia de Lima Santos, de 26 anos, Yá Camila, que frequenta a religião desde criança e já na adolescência fez o santo. Por influência da avó, que era do candomblé, praticamente toda a família participa e há três anos abriu seu próprio terreiro. "Além da família carnal, tenho 18 filhos de santo." Sua dedicação em difundir o candomblé é tanta que as próprias filhas também participam.
Na academia
O vídeo "Tudo o que você gostaria de saber sobre macumba e nunca teve coragem de perguntar", lançado em 2010 pela Vila Cultural Alma Brasil, com a participação da líder do movimento negro em Londrina e mãe de santo, Yá Mukumby assassinada no último dia 4 de agosto - foi uma das tentativas registradas no município de esclarecimento à população leiga sobre religiões afro-brasileiras. Está em formatação uma cartilha oficial, promovida pela Gestão Municipal de Promoção da Igualdade Racial, com explicações sobre o funcionamento dos terreiros de candomblé. Mas, assim como a iniciativa realizada em Londrina, outras estão espalhadas pelo país.
Segundo a vice-presidente da Faculdade de Teologia Umbandista (FTU), Maria Elise Rivas, a instituição, fundada em 2004, promove o conhecimento e formação de teólogos sobre todas as religiões afro-brasileiras, além da umbanda. "A FTU surgiu da necessidade de trazer reconhecimento social a essas religiões que são uma realidade presente no nosso país." A faculdade é frequentada por seguidores ou não das religiões de matriz africana.





