Psicóloga do Caps 3, Thelma Martins observa, entre os pacientes do serviço, que situações comuns como o corte de um benefício social, uma briga familiar ou a iminência de retornar ao trabalho são passíveis de desencadear a chamada angústia. ''São pessoas mais frágeis, que sofrem quando tem de sair de um ambiente protegido para retomar a vida'', diz.
Ela reforça que a angústia acomete seres humanos há milênios. ''A diferença é que, cada vez mais, pacientes bem jovens apresentam crises muito intensas'', diz. No Caps, o objetivo é controlar os sintomas e preparar os pacientes para a retomada gradual da rotina. ''Para isso, cada um segue um projeto terapêutico individualizado.''
É o caso da artesã Elizabeth Naomi Kochinda, 42, que sofre de depressão desde 1990, quando retornou do Japão, onde trabalhava como dekassegui. ''Já tive muita angústia, mas agora procuro fazer coisas para esquecer'', diz ela, que tem habilidades manuais e dedica-se ao crochê.
Acostumada à ideia de que a depressão pode se manifestar a qualquer momento, Elizabeth consegue indentificar os primeiros sintomas e procura ajuda para prevenir as crises. ''Minha vida é assim: às vezes estou bem, às vezes não. Tenho que lidar com isso todos os dias. A verdade é que tenho pressa para dormir, mas nem tanta para acordar'', resigna-se.
Julia (nome fictício), 30, é uma auxiliar administrativa de 30 anos que atualmente trata uma recaída da depressão severa que a acomete desde 2002. A crise é atribuída ao trabalho. ''Fiquei preocupada porque não soube resolver uma situação, comecei a me sentir muito angustiada e veio a depressão'', relata ela. Com medo de não fazer o serviço direito e acabar demitida, a moça conta que a preocupação ''chega a doer''. ''É muito difícil conviver com essa angústia. Se estou mal, fico paralisada. Não consigo limpar a casa ou lavar roupa, não faço nada.''(C.A.)

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