Ex-dekassegui, o empresário Nilo Kato não para de colher os frutos do recomeço da vida após 15 anos trabalhando como operário no Japão. Mas nem de longe a vida confortável de hoje se assemelha à do passado. De uma família de mais nove irmãos e muito simples de Assaí, essa foi a alternativa encontrada para conseguir prosperar financeiramente, quando tinha apenas 21 anos. "Trabalhei em fábricas de peças para veículos. Nesse tempo, juntei dinheiro e fui adquirindo patrimônio no Brasil", conta.
Lembrando de sua infância, ele conta que nunca faltou comida em sua casa no sítio onde morava, mas as restrições sempre foram presentes. "Não podíamos ir ao dentista, por exemplo, pois era um serviço muito caro. Nada era fácil; passamos por muitas privações. Por isso, em alguns momentos, a falta de dinheiro trazia infelicidade pelo que não podíamos fazer ou comprar", pontua Kato, comparando o estilo de vida que pode proporcionar ao filho, atualmente com 17 anos.
Respeitado e admirado pelo trabalho que faz em Londrina em seu ateliê de doces finos desde 2004 - hobby da mulher que fazia bolos para brasileiros no oriente - está prestes a conquistar mais um sonho: a construção da sede própria da empresa. "Posso dizer que, financeiramente, cheguei onde queria e sinto orgulho da minha história. Mas não preciso de muito dinheiro para ser feliz. Já me dou por satisfeito. Tenho medo que muito mais mude minha personalidade", confessa Kato.
Ao mesmo tempo, sonha em ver a marca da empresa se expandir pelo país. "Quero que a empresa cresça muito mais. Só que também sei isso tem um preço: menos tempo de lazer e para desfrutar do que o dinheiro proporciona. No início do negócio aqui, trabalhei mais que no Japão. Hoje, me dou ao ‘luxo’ de trabalhar das 7 às 20 horas. No entanto, não abro mão das aulas de laço de cavalos com meu filho. Esse é o nosso momento; isso para mim é felicidade."

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