Tempestades causam medo e preocupação
Na Zona Norte de Londrina a situação de uma ocupação irregular em terreno vizinho ao bairro São Jorge sintetiza o caos enfrentado pela população mais pobre nos dias de chuva. Na área batizada de Bom Jesus, mas que já foi Nossa Senhora Aparecida, os primeiros sinais de tempestade causam medo e preocupação nos moradores. A cada temporal, os barracos construídos sem planejamento, com materiais recolhidos nos depósitos de reciclagem, são invadidos pela água. As lonas sobre as construções denunciam, também, que o destelhamento é recorrente no local.
O serralheiro Antônio Lucas, de 52 anos, é um dos moradores da ocupação e viu na fragilidade das casas dos vizinhos uma oportunidade de negócio. No bairro, ele constrói e instala portas, portões e também reforça os frágeis barracos. Uma tempestade no início do mês, porém, trouxe prejuízos a Lucas, que mora no local onde funciona a serralheria improvisada com a esposa Geni.
Um raio que atingiu a região queimou o motor de um equipamento de trabalho, além de ter estragado a CPU e o modem do antigo computador da residência. "Perdemos quase R$ 1 mil", conta ele, que se mudou para o Bom Jesus há quase dois anos por falta de condições de pagar aluguel em um bairro urbanizado.
A chuva também provoca sujeira e transtornos dentro do barraco. "Não temos condições de fazer uma cobertura reforçada, usamos descarte de reciclagem. Quando chove, a água invade a casa", conta Geni, que tem medo de um dia ser surpreendida pelo total destelhamento.
Rosana de Souza, que morava com os três filhos em um barraco nas últimas ruas da invasão, vivenciou o maior medo da vizinha. Na última chuva forte, a cobertura da construção voou e a água invadiu a casa deixando um rastro de destruição. "Perdi colchão, móveis, roupas, não tenho mais nada", lamenta ela, que está abrigada no barraco da irmã e considera sorte o fato da família não estar em casa na hora da chuva.
A dona de casa conta que as tempestades despertam nos moradores a solidariedade. "Basta começar a pingar que já saímos correndo para ver se os outros estão bem, oferecer ajuda. Só assim conseguimos sobreviver." (C.A.)





