Os pesquisadores dos principais institutos de pesquisa do País querem testar as sementes de grãos transgênicos, assim como as empresas que detêm a tecnologia estão fazendo. Para a professora Glacy Zancam, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), os cientistas não são contrários ao avanço da biotecnologia, pelo contrário. ‘‘Mas eles têm muitas dúvidas científicas sobre os possíveis riscos ou benefícios do comércio desse tipo de produto e por isso querem testá-lo.’’
De acordo com Glacy, os pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) gostariam de ter acesso aos campos experimentais existentes no Estado, mas a empresa detentora da patente não cedeu as sementes. A intenção é fazer uma análise alternativa à que está sendo feita pela empresa, explicou. Os pesquisadores querem saber quais os efeitos desses plantios no meio ambiente do País e do Estado. Também querem ter acesso aos protocolos assinados com a CTNbio para saber quais as medidas de biossegurança que podem ser acionadas de forma preventiva.
A presidente da SBPC reconhece que o tema continua bastante polêmico, até mesmo entre os pesquisadores. Numa declaração pública, a entidade adverte que se a técnica é eficiente e produtiva numa determinada região, não se pode generalizar para as demais regiões. Com a mudança de solo e clima, muitas dessas sementes podem provocar desequilíbrios no meio ambiente, destacou.
Para o engenheiro agrônomo Sebastião Pinheiro, pertencente à Organização Não-Governamental (ONG) Grupo Interdiscliplinar de Pesquisa e Ação em Agricultura e Saúde (Gipas), o mais dramático é a falta de conhecimento sobre o tipo de gene que constitui a semente da soja transgênica. Se um gene já ambientado escapa do seu meio ambiente ou de laboratório, o estrago na natureza é grande e só será sentido com o passar do tempo.
Pinheiro comparou a possibilidade de perda do controle sobre os produtos transgênicos à ocorrência do mal da vaca louca na Europa. A doença foi derivada de outra existente em ovelhas – a scrapie –, e quando os países europeus se deram conta, o mal já havia atingido todos os países. A previsão é que até 2010, a Grã-Bretanha tenha 100 mil pessoas mortas, disse.
Outra dúvida de Pinheiro é sobre o impacto das sementes transgênicas sobre a saúde da população. ‘‘Quem garante que o consumo desses produtos não cria resistência à ingestão de antibióticos’’, perguntou. Pinheiro lembrou que se o País quer aprovar esse tipo de semente, precisa se preocupar em preparar os técnicos da rede público em especialistas em biossegurança.

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