Técnicas naturais garantem qualidade
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domingo, 25 de maio de 1997
Simone Mattos Sucursal de Curitiba 
fotos Gilson CamargoBioclimáticaCasa do arquiteto Luís Reis que utiliza técnicas de captação e conservação da energia solarA arquitetura ecológica é pouco ou quase nada utilizada no Paraná. A constatação motivou uma equipe da Universidade Federal do Paraná (UFPR) a preparar um documento que será enviado aos governos municipal, estadual e federal, pedindo uma legislação específica que incentive a exploração dos recursos naturais nas construções.
O engenheiro mecânico Aloísio Schmid, formado pela UFPR, com mestrado no Japão e doutorado na Alemanha, participa desta equipe. Ele diz que não existe uma preocupação dos técnicos em adaptar os projetos arquitetônicos ao clima e paisagem locais. As construtoras estão mais preocupadas em maximizar a área ocupada dos terrenos.
Ele defende a idéia de que as construções deveriam ser baseadas no meio físico local, o que compreende a paisagem, as radiações do sol, a temperatura e a ventilação. Sem nenhuma alta tecnologia, poderíamos economizar energia e materiais, afirma.
A captação de energia solar para aquecimento da água, por exemplo, necessitaria apenas da troca de uma das paredes de concreto da caixa por um material coletor do sol. Uma parede face Norte ou Oeste seria substituída por lâminas de vidro ou chapas de metal, explica.
Detalhe da janela projetada para não permitir a entrada de sol no verão. Durante o inverno a casa recebe sol durante todo o dia, com aproveitamento máximo do calor
Apesar da facilidade, não conheço nenhum prédio em Curitiba que utilize este método, diz. Poucas casas da cidade teriam aderido ao aquecimento solar, segundo tem conhecimento.
Acho que existe um pouco de timidez das construtoras em desenvolver esta arquitetura bioclimática, comenta Schmid. As pessoas acham que o aquecimento solar não daria certo em Curitiba, por ser uma cidade fria. Isto é pura falta de conhecimento, acredita.
Ele informa que a cidade conta com 1.700 horas de sol por ano, índice muito superior a maioria dos locais da Alemanha, que utilizam o método em larga escala. O uso da energia solar pode trazer uma economia de até 50% no aquecimento de ambientes ou de água em residências e edifícios, informa ele.
Outro exemplo citado por Schmid é a utilização dos telhados dos altos edifícios para captação de energia solar, como acontece frequentemente em cidades japonesas. Estas áreas estão livres de qualquer sombreamento e aqui são desperdiçadas com arquiteturas caras, de concreto, que impedem o aquecimento solar.


