Teatro da Meia-Noite 'arrepiava' a madrugada
Curitiba - Na década de 1950, a B-2 começou a enfrentar a batalha pela audiência. Nessa época, Ubiratan Lustosa foi contratado como locutor coadjuvante. No final de 1957, ele se transformou em locutor anunciador. A Rádio Clube já atuava em ondas médias e ondas curtas.
Mario Vendramel (que depois foi para a TV) apresentava programas de auditório e Souza Moreno comandava com sucesso o programa infantil Cineac Rádio. ''Fico emocionado ao relembrar o amor que tínhamos pela nossa profissão'', relata Lustosa, num outro livro sobre a história da Clube.
Numa oportunidade, Lustosa percebeu que tinha pouca audiência no horário do seu programa (entre meia-noite e 4h). Foi aí que inventou o chamado Teatro da Meia-Noite - programa com histórias inventadas por ele e por seus ouvintes.
''Usávamos muita sonoplastia, com uivos, gemidos, ranger de portas, gargalhadas e gritos de horror, trovoadas, vinhetas musicais fortes, uma parafernália de sons para impressionar os ouvintes. Os próprios radioatores ficavam arrepiados durante a interpretação'', relembra. Mula sem cabeça, Grito do Lobisomem e Mansão das Almas Penadas foram as principais histórias contadas.
Arthur de Souza era o campeão de audiência pela simpatia dos ouvintes. Ele não apenas dava as notícias, mas fazia comentários explicativos, críticas e dava opiniões.
O radialista Algaci Tulio, depois deputado estadual, era repórter de Arthur de Souza. Anos depois, ele o substituiu no Programa Canal Aberto. Foram mais de 20 anos com informações sobre assuntos diversos, notas de falecimento, crônicas e coberturas jornalísticas.
Uma das grandes coberturas foi durante o processo de privatização da Copel, com acompanhamento de todo o levante popular ocorrido na Assembléia Legislativa.
''O rádio é uma cachaça para mim. Devo tudo ao rádio. Com a Clube tive um casamento feliz, de mais de 20 anos. Fazia uma comunicação direta com as senhoras, com os caminhoneiros, com a população em geral. Fazia um programa voltado ao público'', relatou. Algaci chegou a contar com oito repórteres trazendo notícias no período da manhã - entre os dele e os do jornalismo da B-2.
Algaci fazia transmissões do programa em praças uma vez por ano. Tradicionalmente na Boca Maldita (com exceções - uma foi feita na Rua da Cidadania Matriz, na Praça Rui Barbosa). ''Tudo o que fiz e tenho é em função do rádio. Sou radialista antes de tudo. Agora posso dizer que sou também político''. (L.P.)





