O secretário estadual de Segurança Pública José Tavares defende a proposta dos municípios da Região Metropolitana de Curitiba que adotaram o ‘toque de recolher’. Para o secretário, a iniciativa ajuda a diminuir a criminalidade, já que limita a venda de bebidas alcoólicas. ‘‘Se a pessoa não tiver onde beber, certamente vai para casa, ficar com a família’’, acredita Tavares. O conselheiro do Conselho Nacional dos Direitos Humanos, Narciso Pires, discorda e define a medida como utópica. Para Pires, a medida só transfere o problema da violência de uma região para outra.
Pires faz questão de diferenciar o toque de recolher, como o utilizado durante as guerras, políticas ditatoriais e pelos traficantes das grandes cidades, da limitação do horário de fechamento de bares e boates. ‘‘O objetivo desse limite é a redução da violência, mas a criminalidade tem outras raízes, que não apenas o consumo de bebida alcoólicas’’, enfatiza. Para ele, o quadro de violência nas cidades aumenta sistematicamente na medida que as políticas econômicas e sociais se tornam ineficientes para atender as necessidades da população.
Nesse caso, complementa Pires, não é o ‘‘toque de recolher’’ que vai reduzir e aplacar o estado de desesperança da população. ‘‘A violência é um problema social e a situação atual do Brasil é um campo fértil para incidência da criminalidade’’, opina. (K.M.)

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