Tavares defende a proposta
PUBLICAÇÃO
sábado, 23 de junho de 2001
De Curitiba 
O secretário estadual de Segurança Pública José Tavares defende a proposta dos municípios da Região Metropolitana de Curitiba que adotaram o toque de recolher. Para o secretário, a iniciativa ajuda a diminuir a criminalidade, já que limita a venda de bebidas alcoólicas. Se a pessoa não tiver onde beber, certamente vai para casa, ficar com a família, acredita Tavares. O conselheiro do Conselho Nacional dos Direitos Humanos, Narciso Pires, discorda e define a medida como utópica. Para Pires, a medida só transfere o problema da violência de uma região para outra.
Pires faz questão de diferenciar o toque de recolher, como o utilizado durante as guerras, políticas ditatoriais e pelos traficantes das grandes cidades, da limitação do horário de fechamento de bares e boates. O objetivo desse limite é a redução da violência, mas a criminalidade tem outras raízes, que não apenas o consumo de bebida alcoólicas, enfatiza. Para ele, o quadro de violência nas cidades aumenta sistematicamente na medida que as políticas econômicas e sociais se tornam ineficientes para atender as necessidades da população.
Nesse caso, complementa Pires, não é o toque de recolher que vai reduzir e aplacar o estado de desesperança da população. A violência é um problema social e a situação atual do Brasil é um campo fértil para incidência da criminalidade, opina. (K.M.)


