Surpresa na fila do supermercado
PUBLICAÇÃO
domingo, 20 de janeiro de 2013
Silvana Leão <br> Reportagem Local 
Em um final de tarde, quando muitos saem cansados do trabalho e têm que enfrentar as compras de supermercado antes de ir para casa, a FOLHA testou a reação de alguns a uma pequena gentileza: a oferta para passar à frente na fila do caixa. Como em outros espaços de convivência humana, cada pessoa respondeu de uma maneira ao ser surpreendida pela atitude.
A secretária Claudete Bento, de 57 anos, não esboçou reação ao ganhar a vez na fila. Aparentemente cansada, passou os produtos e pagou pela compra sem dirigir o olhar para a repórter. Ao ser abordada na porta do supermercado, porém, mudou o semblante e argumentou que se espantou com o gesto simpático. ''As pessoas deveriam mesmo ser mais cordiais umas com as outras. O mais comum é 'atropelarem' a gente, talvez pelo excesso de estresse. Tanto que estranhei quando você permitiu que eu passasse na sua frente. É muito bom quando encontramos pessoas educadas, isso faz falta'', admitiu, já com uma expressão bem mais leve.
A empregada doméstica Maria Lúcia Oliveira, de 32, disse ter se sentido ''privilegiada'' ao receber a oferta do lugar na fila. ''Este é o tipo de coisa que eu costumo fazer pelos outros, mas não fico esperando que façam por mim.'' A mesma postura tem o médico Cid Janene El Kadre, de 46, conhecido pelos constantes comportamentos gentis. Ao ser ''testado'' pela reportagem, agradeceu com um sorriso e foi logo perguntando: ''Você está esperando alguma coisa?''
Ele disse estranhar a falta de gentileza da maioria das pessoas. ''A gente não espera nada em troca quando tratamos bem os outros, mas é chato quando não nos tratam da mesma forma'', disse. Pai de três filhos, El Kadre se preocupa em incentivar esta forma de comportamento nos filhos. ''Fui educado assim e quero que meus filhos também sejam pessoas gentis. Hoje eu não saberia viver de outra forma'', diz o médico, que acredita no poder transformador da gentileza.


