SUPER IDOSOS: Pesquisa mostra avanço tímido em políticas públicas
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sábado, 23 de maio de 2015
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
Débora Alcântara Lopes, presidente da Seção Paraná da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG-PR), aponta que a evolução nos serviços de saúde permite que muitas pessoas atinjam a quarta idade com qualidade de vida ou então que mantenham-se vivas por mais tempo mesmo com decorrências de doenças.
"O principal desafio é que esse grupo etário tem muitas doenças, utiliza muitos medicamentos e precisa de assistência para atividades do dia a dia. Outro desafio é a previdência, que não está preparada para o aumento expressivo dessa população. Muitos desses idosos vão permanecer no mercado de trabalho, outros vão precisar de atividades sociais. Serão necessários investimentos para garantir o bem-estar, a saúde e qualidade de vida dessas pessoas", argumenta.
A geriatra diz que no Paraná a projeção de aumento da população de super idosos é superior ao geral do País porque o Estado tem condições de vida melhores do que outras regiões e também porque aqui residem muitos descendentes de povos que têm a longevidade como característica genética.
Segundo Débora, o despreparo do Brasil para essa mudança demográfica se manifesta pela falta generalizada de geriatras. "É um número muito pequeno por vários fatores. Há poucas residências em geriatria. É uma residência nova e a área é pouco difundida nas faculdades de Medicina. É uma especialidade que não é bem vista por jovens médicos, porque as consultas são demoradas, exigem mais atenção, carinho. Uma consulta em um dermatologista demora 15 minutos. A consulta do geriatra demora três vezes mais do que a de outros especialistas. Isso reflete nos convênios: os planos de saúde não oferecem compensações por esse tempo maior. Outra questão é que no Brasil existe a cultura da pessoa ir a dez especialistas para ver como está a saúde, ao invés de ir ao geriatra. Ela nem vê, por exemplo, se os medicamentos que são receitados geram algum efeito adverso se combinados", explica.
Em dezembro do ano passado, o Ministério Público do Paraná divulgou uma pesquisa sobre os serviços de atenção ao idoso nos municípios paranaenses. Os resultados foram desanimadores: entre os municípios que responderam ao questionário enviado pelo MP, 64% não tinham instituições de longa permanência para idosos; 74% não ofereciam alternativas além do asilamento; 58% não tinham programas de acessibilidade; e 65% não reservavam vagas de estacionamento para essa população.
A procuradora Rosana Beraldi Bevervanço, coordenadora do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Defesa dos Direitos do Idoso e da Pessoa Portadora de Deficiência, aponta que esses números são um indicativo de que é lenta a evolução do atendimento à população idosa no Paraná, a exemplo do que ocorre em todo o País. "A pesquisa é uma fotografia das necessidades e da pouca ou nenhuma evolução que ocorreu desde 2010, quando foi feita a avaliação anterior", explica.
No caso da quarta idade, as carências na assistência são ainda mais graves. "Com o avanço da idade, os agravos de saúde são uma decorrência lógica. Estive em um evento recentemente em que se discutiu muito a situação do idoso com problemas de saúde incapacitantes. Existe um grande despreparo da família para atendimentos pós-hospitalares. Precisamos intensificar as ações de internação domiciliar, cuidadores e geriatras nos programas de saúde pública, e também de mais programas de acessibilidade", diz Rosana.
"O Ministério Público está em um trabalho permanente para aprimorar a atenção ao idoso. Mas a sociedade também precisa agir, cobrar do Estado a implantação de políticas públicas, e os conselhos do idoso precisam ser mais atuantes, porque eles são os implementadores dessas políticas. Isso (aprimoramento) só vai acontecer com informação e conscientização da sociedade, como em todas as áreas", afirma a procuradora. (F.G.)


