Substitutos também prejudicam o meio ambiente
Há quem diga que a troca do clorofluorcarboneto (CFC) por gases da família dos hidroclorofluorcarbonos (HCFC) e dos hidrofluorcarbonos (HFC) é apenas uma medida paliativa, que empurra o problema ambiental para a frente, mas não acaba com os riscos. O problema é que o HCFC também tem cloro, substância que se associa às moléculas de oxigênio do ozônio, destruindo-as. Já o HFC não tem cloro, é considerado um substituto definitivo para o CFC, mas contribui para o efeito estufa do planeta. O HCFC é considerado um produto de transição, e deve ser banido até 2040.
Estamos trocando 6 por 5,9, diz o diretor de Campanhas do Greenpeace, Délcio Rodrigues. Para o químico Daniel Melo, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), o benefício destes dois gases é que eles agem bem mais lentamente na destruição da camada de ozônio, numa velocidade entre 30 a 40 vezes mais lenta. Ele alerta, entretanto, que a preservação do meio ambiente deve ser pensada a longo prazo. Devia-se pensar em formas que tirassem o cloro destes processos, afirma.
A vice-diretora da Unidade do Protocolo de Montreal do Programa das Nações Unidas para Desenvolvimento (PNUD), Sueli Carvalho, concorda que as soluções ainda não são ideais. Se não conseguimos acabar com o problema, pelo menos temos mais tempo para pensar em novas alternativas, diz.
Um problema no Brasil é que a maioria das empresas optou pelo uso do HCFC, em função do custo mais baixo. Já o HFC está sendo adquirido principalmente por multinacionais e empresas exportadoras, que têm pressa em se adequar aos melhores padrões mundiais. (M.G.)





