Visivelmente judiadas pelos efeitos do crack, Angela e Cristina, 25 e 33 anos, respectivamente, são duas mulheres reféns do vício da droga. Ambas perderam o vínculo com a família e, hoje, são moradoras de rua. Em um dia nublado e frio estavam sentadas no posto desativado, na Zona Leste de Londrina, onde ficam quando os vigias permitem. Nesse dia, não estavam sob o efeito do entorpecente, pois uma delas estava doente. ''Não vamos fumar hoje, porque ela está cuspindo sangue'', diz Cristina sobre a amiga.
Mas a realidade dos outros dias, infelizmente, é outra. As duas confessam usar até cerca de 20 pedras de crack por dia, que podem ser adquiridas por apenas R$ 4 cada. ''Quando acabo de fumar uma pedra, já vem a vontade de conseguir mais uma. Se não tenho dinheiro, saio pedindo'', conta Angela, que apresenta dificuldades motoras da fala, resultado de mais de uma década de uso. Não bastasse, o cabelo desgrenhado, a pele ressecada e a falta de dentes deixam a imagem ainda mais sofrida.
O abandono e descaso que cercam usuários como elas foi presenciada pela reportagem. Durante a conversa, três kombis oficiais da Prefeitura e uma viatura da Polícia Militar passaram em frente ao local e, como naquele momento as mulheres não estavam fumando, nenhuma abordagem foi feita. Caso contrário, talvez fossem expulsas do local. Quando acontece a expulsão, os usuários se espalham por ruas isoladas do entorno.
As duas garantem que não são agressivas nem roubam. ''Se não vou fumar, peço comida em vez de dinheiro'', reforça Cristina, enquanto mastiga um biscoito, primeiro alimento depois de dias sem comer. Magrinha, pesa, hoje, 42 quilos, mas já chegou a ter dez a menos. ''Nossa vida é assim mesmo. Um dia um vai preso, no outro, um morre. Eu só queria mesmo era ter a chance de conseguir mudar as coisas, mas, sozinha, eu não consigo'', suspira a mulher, que evita frequentar os pontos de uso muito movimentados. (Marian Trigueiros)

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