Formas alternativas de consumo têm ganhado destaque no modelo de vida que prioriza o uso dos produtos em vez do acúmulo. Gerente de conteúdo e metodologia do Instituto Akatu, Dalberto Adulis explica que o consumo consciente permite diversas medidas, entre elas, a troca e o compartilhamento. "A sociedade do bem-estar não admite mais a compra e o acúmulo desenfreado. Ela prioriza o ‘uso das coisas’ e não a ‘compra das coisas’. Nessa mudança, a internet tem um papel importante, pois facilita o fluxo de informações", explica.
De acordo com o gerente, muitos jovens brasileiros já perpetuam a perspectiva do consumo consciente e estão em busca de qualidade de vida. "Eles estão interessados em encontrar soluções para o dia a dia e contribuir, realmente, com a sustentabilidade do planeta. Antes de adquirir qualquer produto analisam questões como necessidade, como vão utilizar, o desperdício, ou seja, durabilidade e descarte. Mas tudo isso ocorre de uma forma natural, pois sabem do impacto de suas decisões, principalmente com relação aos produtos com alto grau de obsolescência tecnológica."
Segundo ele, é cada vez mais comum encontrar iniciativas, sobretudo na internet, que priorizem novas maneiras de consumo. "Há sites de aluguel de brinquedos para crianças, compartilhamento de veículos e de táxis. O mais importante na visão dos consumidores conscientes, por exemplo, não é ter um carro, mas garantir a mobilidade. Combinam horários com pessoas que fazem o mesmo trajeto para dividir um táxi. Já no caso dos brinquedos, as crianças enjoam rápido. Para quê então comprar?", indaga o gerente, ressaltando que essas medidas têm como consequência a redução de custos e de recursos naturais.
O compartilhamento, segundo Adulis, se estende até mesmo aos espaços de trabalho. "Muitas empresas estão adotando o perfil colaborativo. Há várias iniciativas de profissionais dividindo o mesmo espaço físico também." Já é comum moradores compartilharem espaços como hortas comunitárias, laboratórios de informática e brinquedotecas. Para Adulis, cabe ao governo e à mídia fomentarem esse novo comportamento e realidade econômica que não ressaltam o incentivo ao consumo por meio de redução de impostos, mas o consumo consciente e a busca por soluções coletivas.

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