O diabetes tipo 1 diagnosticado aos 13 anos de idade foi o início de uma difícil trajetória para a vendedora Ana Paula Lopes do Nascimento, de Londrina. Após conviver com a doença por 14 anos, em 2012, grávida pela segunda vez, ela descobriu que portava graves problemas renais. Submetida a meses de uma rotina de diálises realizadas três vezes por dia, que culminaram com a perda do bebê aos sete meses de gestação, Ana Paula entrou na fila do transplante para conseguir novos pâncreas e rins. Um mês depois, ela recebeu a boa notícia de que haviam encontrado órgãos compatíveis para realizar o procedimento. No dia em que começou a caminhada por uma nova vida, iniciou também a trajetória de intermináveis viagens para a Região Metropolitana de Curitiba em busca de tratamento.
No Paraná, os transplantes como o que foi realizado em Ana Paula são feitos no hospital Angelina Caron, em Campina Grande do Sul, que é referência no Estado. Neste hospital, a vendedora foi submetida à cirurgia que resultou em complicações que quase tiraram-lhe a vida. "O rim não funcionou, comecei a inchar e passei quatro dias na UTI. Depois, peguei uma bactéria e precisei passar dois meses no hospital. Achei que ia morrer, mas tive muita fé em Deus e acabei curada", emociona-se.
O tempo passado no hospital resultou na mobilização do esposo Adriano, da mãe Imecilda e da irmã Miriam, que revezaram-se em viagens para acompanhar a paciente, sacrificando dias de trabalho e outros compromissos. "Foi muito desgastante, porque quando a gente está fora de casa, tem que pagar por tudo: comida, transporte, estadia. Pegamos dinheiro emprestado de amigos e parentes e também recebemos doações. Foi graças à solidariedade que consegui me tratar", conta.
Ana Paula lembra das dificuldades que enfrentou logo após a alta, quando, apesar da fragilidade da saúde – deixou o hospital desnutrida e pesando 44 quilos -, enfrentava horas de ônibus para fazer o acompanhamento quinzenal no Angelina Caron. Hoje, mediante atestado médico, ela conseguiu o benefício de fazer as viagens trimestrais de avião. A passagem e a diária de R$ 10 oferecida aos pacientes para alimentação são pagas pela secretaria municipal de Saúde. "Acabo tendo outros gastos, mas isto não é nada perto do que passei", acredita.
Dos tempos que ficou longe de casa, a maior tristeza era a distância do filho Enzo, de 7 anos, que ficou sob cuidados da avó paterna. "Eu falava com ele pelo telefone sem ter certeza que ia vê-lo de novo. Foi muito difícil", diz.

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