Para os chamados sobreviventes do suicídio, viver o luto após a perda de um ente querido que decidiu encerrar a própria vida é uma das maiores dores descritas. Jorge (nome fictício) conhece bem o sofrimento. O irmão dele decidiu se matar aos 22 anos, sem dar sinais claros de que estava com problemas e não queria mais viver.
"Ele deixou um bilhete dizendo que não queria mais ‘dar trabalho’", lamenta Jorge, que até hoje não entende os motivos que levaram o irmão a tomar uma atitude de tamanho desespero. "Pode ter sido pelo fim de um relacionamento ou alguma frustração com a vida. O problema é que esta geração é muito imediatista, não consegue resolver os problemas e acha que a vida acabou. É preciso ter um olhar mais cuidadoso para os adolescentes e jovens", diz.
Até hoje, a família questiona os motivos que levaram o jovem a escolher não viver mais. "É o pior trauma, porque a gente fica questionando as causas", comenta ele, que por tudo isso apoia a campanha "Setembro Amarelo". "É importante falar sobre suicídio e também sobre a possibilidade de pedir ajuda quando não conseguimos lidar com nossos problemas." (C.A.)

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