Se apenas três décadas atrás um bebê que nascia pouco antes do tempo tinha poucas chances de sobreviver ou ficava com várias sequelas, hoje, prematuros cada vez mais precoces, que chegam a caber na palma da mão, têm a possibilidade de se desenvolver e crescer com complicações mínimas ou nenhuma. Isso é possível, sobretudo, devido ao avanço da medicina, medicamentos e das UTIs neonatais, que permitem ao recém-nascido terminar seu processo de formação fora do útero da mãe.
  Porém, a chefe da UTI neonatal do Hospital Universitário (HU) de Londrina, Lígia Lopes Ferrari, que também é membro da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), alerta que, mais do que garantir apenas a sobrevivência do bebê, a medicina caminha para uma sobrevida sem sequelas e com qualidade de vida. ‘‘Atualmente, a maior preocupação é com os prematuros extremos (abaixo de 28 semanas), que têm maior índice de sequelas, em torno de 15%. Enquanto isso, o advento da tecnologia na obstetrícia, seja em equipamentos e remédios, aumentou consideravelmente a viabilidade de sobrevida do prematuro a cada década’’, resume.
  Enquanto a média do limite de viabilidade em países desenvolvidos era de 30-31 semanas na década de 1960, ficou em 23-24 semanas na última década. ‘‘No Brasil, esse limite está em 25-26 semanas’’, complementa a médica. As sequelas, por sua vez, podem ser motoras ou cognitivas, como problemas neurológicos, visuais, auditivos ou até mesmo comportamentais. ‘‘As sequelas estão diretamente ligadas ao grau de prematuridade, mas tudo é muito variável. Pode ser desde uma simples deficiência visual até uma paralisia cerebral. Não podemos afirmar que será mais ou menos grave, mas a possibilidade de ocorrer.’’
  No final de setembro deste ano, nasceu em Curitiba o menor bebê do Brasil, pesando 250 gramas e 23,5 centímetros. A menina nasceu de 24 semanas, mas veio a óbito uma semana depois. O menor bebê a sobreviver no País que se tem notícia nasceu pesando 360 gramas, no estado de Minas Gerais. Em Londrina, até o mês passado, o menor bebê nascido era de 27 semanas, pesando 495 gramas. Hoje, Maria Vitória está com um ano e três meses. No entanto, no final do mês passado, nasceu um bebê de apenas 435 gramas, que ainda continua na UTI do hospital. (M.T.)

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