O personal trainer Bart Canedo explica que o cansaço após anos de atividade física intensa é o principal responsável pelo sobrepeso que muitos ex-atletas apresentam depois que se aposentam. ''O ex-atleta passou de 20 a 25 anos, desde o início como amador até a vida profissional, treinando diariamente e comendo direitinho. Quando se aposenta, ele está cansado disso. Dessa forma, muitos já não mantêm atividade física adequada nem uma alimentação regrada'', explica.
''Uma maneira de estimular o ex-atleta (a manter uma rotina de exercícios e alimentação balanceada) é enfatizar a competição, algo a que ele sempre esteve acostumado durante a carreira. Neste caso, a competição não é com o outro, mas interna. No caso do Ronaldo, ele foi desafiado (a participar do 'Medida Certa'). Ele aceitou essa competição interna, para mostrar para os outros e para si mesmo que era capaz'', afirma Canedo.
''Outra coisa importante é encontrar uma atividade que o ex-atleta faça com prazer. Não adianta dizer para fazer musculação, se ele detesta. Vai fazer por umas duas semanas, e depois desistir'', complementa.
Como o esporte de alto rendimento exige cada vez mais do corpo dos atletas, muitos encerram a carreira sentindo dores fortes, em razão das lesões que sofreram durante a trajetória profissional. Canedo explica que essas dores podem ser um desestímulo à atividade física, mas não são desculpa para o sedentarismo. ''Existem inúmeros tipos de exercícios e o ex-atleta pode praticar alguma atividade física sem que isso provoque dores nos locais onde ele sofreu lesões'', justifica o personal trainer.
Mudança de hábitos
Ex-jogadores de futebol não são os únicos ex-atletas que sofrem com o sobrepeso depois que se aposentam. O ex-judoca Aurélio Miguel, 48 anos, campeão olímpico em Seul em 1988, relata que quando encerrou a carreira, há 10 anos, estava próximo dos 100 quilos. Hoje, está com 120.
''Eu tive um problema: machuquei o joelho, operei, e aí fiquei forçando para tentar vaga nas Olimpíadas e continuei sentindo dor. Tive que fazer outra cirurgia, ganhei peso e depois não consegui mais perder. O atleta vive pelo objetivo. Sem a competição, perde o objetivo'', explica Miguel, que hoje é vereador em São Paulo pelo PR.
O ex-judoca admite que, após anos da ''vida espartana'' de atleta, deu uma relaxada. ''Estive meio relapso, depois de anos acostumado com aquela vida regrada. Além disso, com a rotina parlamentar, você não tem horário para nada. É algo que me incomoda, porque sempre fui disciplinado'', relata.
Miguel diz que há algum tempo está procurando mudar hábitos. ''Na hora do almoço, estou parando mesmo para almoçar. Sem horário, você acaba comendo um sanduíche, alguma coisa que vai resultar em sobrepeso'', explica. ''Quanto à atividade física, tenho feito alguma coisa, quando posso. Pela manhã, caminho na esteira. Mas fazer o que o Ronaldo está fazendo não tem como fazer, não'', brinca o vereador.

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