Sobre duas rodas, a busca da aventura e da liberdade
PUBLICAÇÃO
sábado, 18 de agosto de 2001
Lúcio Flávio Moura<BR>De Londrina 
O Autódromo Internacional Ayrton Senna, em Londrina, um dos ''monumentos'' à velocidade no Norte do Paraná, virou uma aldeia de homens que cansam da seriedade do dia-a-dia de trabalho e dos compromissos familiares e passam a viver o sonho da liberdade e do movimento sobre duas rodas.
A maioria absoluta deles é de homens de classe média, mas há também mulheres e crianças, que já aprenderam que o ambiente neste mundo não se parece nem um pouco com as arruaças e o mau humor dos motociclistas que figuram nos filmes norte-americanos. Eles vieram a Londrina para três dias de exibicionismo, companheirismo, bons excessos, troca de informações sobre as máquinas e sobre os próximos encontros. Torcem para que os nativos o descubram, para que mostrem orgulhosos seus veículos e estilo de vida.
Os encontros, que ocorrem às dezenas em um ano em vários estados e regiões do País, servem como termômetro para mostrar a quantas andam o culto às motos. Neste início de século, dez anos depois do Brasil abrir suas fronteiras aos produtos importados, percebe-se que as motos modelo Custom (ou estradeiras, cujo o maior símbolo é a Harley Davidson (HD), a única moto não-japonesa conhecida por aqui e um dos símbolos da cultura americana) estão se popularizando. As autênticas Harley continuam raras e até no final da tarde de sexta-feira ainda não havia nenhum exemplar circulando no autódromo. HD apenas à venda, no estande improvisado num box.
As esportivas também ganharam número e variedade e continuam agradando mais aos jovens. Mas não há briga entre os que obtém adrenalina apenas acima dos 200 km por hora e os que já se contém com vento no rosto, paisagem e inveja do patrulheiro. A ordem é tolerância. Até nos momentos mais críticos, quando algum desavisado se assusta com o ronco de um escapamento que mais parece uma bazuca.
Vale azaração na mulher errada, vale pagar caro na cerveja, vale se incomodar com o policial à espreita para saber o que estão fazendo naquela rodinha. Vale, enfim, correr o risco de ser diferente. Pelo menos, longe de casa. Nesta página, o álbum de fotos do encontro.


