Só governo contabiliza lucros no turno único; servidores
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sábado, 07 de abril de 2001
Israel Reinstein De Curitiba 
Eficiência do novo sistema de funcionamento de alguns setores da administração estadual, que começam a atender público somente às 12h30, será checada por sindicato
O Sindicato dos Servidores Públicos do Paraná (Sindiservidores) inicia esta semana um levantamento sobre os efeitos do turno único, adotado pelo governo do Estado em 1º de fevereiro. A intenção é saber se o novo expediente das 12h30 às 19 horas para as repartições da administração trouxe algum benefício ao Estado, à população e aos funcionários.
Enquanto os servidores investigam essa questão, o governo estadual prometeu para esta semana fechar um balanço da economia obtida nestes últimos 68 dias, quando 32 mil servidores alteraram o horário de trabalho. Além disso, a Secretaria de Administração vai fechar suas projeções do que será economizado este ano .
A presidente do Sindiservidores, Mari Elaine Rodella, informou que o levantamento de dados da entidade vai ser feito em todo o Paraná. Com bases nestas informações, os servidores querem derrubar a idéia de que a mudança de horário significou em menos despesas para os cofres públicos. Pela previsão do governo, a economia seria em torno de R$ 20 milhões ao mês. O corte de gastos estaria vindo das contas de água, luz, telefone e combustível.
Ninguém sabe com certeza o que essa mudança significou aos cofres públicos. Isso acontece porque a alteração de horário foi feita de maneira precipitada e sem planejamento, alfineta Mari Elaine. Nem mesmo dentro das secretarias se sabe o que está se economizando.
A Folha tentou durante toda a tarde de sexta-feira falar por telefone celular com o secretário de Administração, Ricardo Smijtink, para que ele rebatesse as declarações da sindicalista. Mas não obteve resposta. É na Secretaria de Administração que está sendo feito o controle sobre a eficiência do novo sistema.
O governo ainda não mostrou quanto pretende economizar com essas mudanças, afirma Mari Elaine. Segundo ela, a alteração de horário foi apenas uma medida para agradar a população. Na Comissão de Finanças da Secretaria de Saúde, não se sabe qual será a economia até o fim do ano. Isso porque ninguém se preocupou em calcular este ganho e o trabalho está sendo feito sem um gerenciamento sério.
De acordo com Mari Elaine, o impacto das medidas do governo estão sendo maior nos setores de saúde, agricultura e meio ambiente. Os efeitos negativos já estão sendo sentido por funcionários e a população, afirma.
Outro torpedo disparado contra o turno único é em relação ao reajuste de salários. Os sindicatos temem que o governo use a redução da carga horária como desculpa para não reajustar os salários. O Palácio Iguaçu sempre rebateu qualquer vinculação neste sentido.
Os servidores públicos estaduais do Paraná acumulam perdas salariais superiores a 40% e estão sem reajuste há cinco anos. Uma das principais bandeiras das diversas categorias tem sido a reposição dos rendimentos.


