Com quatro filhos para criar, a manicure e cabeleireira Taís Gomes não tem dúvidas de que a crise chegou para ficar. Desde o início do ano, viu a renda cair pela metade e, pensando em garantir as necessidades básicas das crianças, têm tomado decisões drásticas para sobreviver às incertezas econômicas.
Uma delas foi a retirada dos gêmeos de 3 anos da escola particular onde ficavam para a mãe poder trabalhar. Sem ninguém para ajudar, os caçulas estão ficando sob cuidados dos irmãos mais velhos, de 8 e 9 anos. "É uma situação muito complicada. Já fui inclusive no Conselho Tutelar pedir ajuda, pois não encontro vaga em nenhuma creche. Até agora ninguém fez nada", lamenta.
Ela própria não pode ficar sem trabalhar, pois as despesas com quatro crianças são altas e o salário do marido, empregado como eletricista, não é suficiente para cobrir as necessidades. "A gente está economizando onde pode. No supermercado, já faz tempo que não compro supérfluos e só tenho comprado frutas a cada 15 dias. Só os alimentos já consomem uma parte importante da nossa renda", diz.
A solução encontrada por ela para reverter a situação difícil é se dedicar a um segundo emprego. Taís conta que, há algum tempo, está procurando emprego noturno como garçonete ou atendente de lanchonete, mas ainda não conseguiu uma oportunidade. "Ninguém está contratando, porque a crise também afetou os restaurantes e lanchonetes. Sem dinheiro, ninguém sai de casa", resigna-se. (C.A.)

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