Dos mais de 60 postos de combustíveis de Maringá, apenas três concentram o movimento de jovens nas lojas de conveniência. Empresários do setor que há alguns anos eram tachados de ‘‘atrasados’’ por não permitir o consumo de bebidas alcoólicas no pátio de abastecimento, hoje mostram que estavam certos. ‘‘A situação para quem liberou está ficando insustentável’’, afirma o empresário Pompilio Silveira, dono do Posto Maluf.
Primeiro posto construído em Maringá, o Maluf foi comprado por Silveira há pouco mais de três anos. O prédio antigo e o terreno utilizado até por oficina mecânica foi transformado em um dos postos mais modernos da cidade. ‘‘Investi R$ 800 mil e não queria fazer do meu posto um boteco’’, diz. Na época, os diretores da companhia falavam que Silveira fugia da tendência do mercado em todo o País. ‘‘Hoje eles concordam que eu estava certo’’.
Para viabilizar a loja, o empresário incentiva a venda de caixas fechadas de bebidas a preços mais baixos. Quando um cliente bebe cerveja no posto, não passa da segunda latinha. ‘‘As meninas da loja avisam que é a última’’, ressalta. Silveira acha uma ‘‘incoerência’’ um posto vender bebida alcoólica para consumo no local já que a legislação não permite o motorista dirigir depois de beber. ‘‘Hoje muitos postos enfrentam problemas de indisciplina de todo tipo. Nós não’’, garante.
O gerente Nivaldo Guimarães Pinheiro, do Posto Catedral, um dos mais procurados por jovens nos finais de semana, acha que sem bebida alcoólica as lojas fecham. Sem citar valores, ele diz que as bebidas representam 70% das vendas nas noites de final de semana e vésperas de feriados. ‘‘Centenas de jovens ficam aqui bebendo e não temos problemas a não ser algumas brigas entre eles.’’
O posto que Pinheiro dirige fica próximo a uma boate muito movimentada. ‘‘Os frequentadores quase sempre passam primeiro pela loja para beber. Mesmo depois de ter entrado na boate alguns clientes acabam saindo para consumir bebida aqui no posto.’’
O gerente afirma que também orienta os jovens sobre a proibição de celulares e cigarros no pátio. ‘‘Nos dias de maior movimento temos segurança para controlar o pessoal.’’ Os donos dos outros dois postos de Maringá atendem jovens no pátio não quiseram falar sobre o assunto.

mockup