Em abril deste ano o Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR) divulgou relatório mostrando que 45% dos municípios paranaenses ainda despejam resíduos sólidos em lixões a céu aberto. Pelo levantamento, apenas 23% das cidades contam com aterro sanitário e outros 8% têm aterro controlado (fase intermediária entre lixão e aterro sanitário). Os dados do TCE são diferentes das informações fornecidas dias atrás pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Sema), que se baseia em números compilados pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) por meio dos escritórios regionais.
Segundo a Sema, dos 399 municípios paranaenses, há informações sobre a disposição final de 285 deles (71,4 %). Desses, 183 (64,4%) teriam aterro sanitário. Do restante, 39 municípios (13,6%) estariam realizando a disposição final em aterros controlados e 63 (22%) em lixões. Estes dados constam em diagnóstico que vem sendo realizado para a elaboração do Plano de Regionalização de Resíduos Sólidos do Estado, que visa arranjos territoriais e modelo de consórcio. Atualmente o diagnóstico passa por fase de consolidação de informações.
Segundo o técnico Vinicio Costa Bruni, da Coordenadoria de Recursos Sólidos da Sema, o pré-diagnóstico realizado até o momento verificou que aterros operados diretamente pelo município normalmente apresentam problemas. Já os aterros terceirizados, privados ou operados pela Sanepar, de acordo com o levantamento, funcionam de forma adequada.
''De maneira geral, municípios de pequeno porte com aterros próprios e operação direta (pessoal, veículos e equipamentos próprios) têm grande dificuldade de operação, tanto do ponto de vista técnico como financeiro. Os aterros se transformam em lixão'', informa o técnico. Ele ressalta que a quantidade de aterros não representa a quantidade de resíduos bem gerenciados. ''Essa informação está ligada à proporção com a população/geração e será obtida ao final do trabalho.''
Entre os municípios que mantêm lixões e não veem soluções a curto prazo para o problema está Bela Vista do Paraíso, 40 quilômetros a norte de Londrina. Em julho do ano passado a FOLHA mostrou a preocupante situação do depósito de resíduos do município, às margens da PR-090, já naquela época com a capacidade quase esgotada. Na semana passada a reportagem voltou ao local e constatou que nada mudou neste período de mais de um ano.
O terreno, que tem aos fundos uma mata ciliar, recebe de tudo: lixo orgânico, materiais recicláveis, restos de construção, móveis velhos e até roupas. Os resíduos mais recentes estão concentrados no fundo da área, que exala forte mau cheiro, abriga grande quantidade de urubus e garças e avança para a direção da pequena mata.
Como todo lixão, o local não possui proteção do solo ou tratamento do chorume. No início do ano passado o Ministério Público (MP) ajuizou ação civil pública por improbidade administrativa contra o prefeito Angelo Roberto Bertoncini, depois de oferecer prazos e providências não terem sido tomadas. De acordo com o promotor substituto da Comarca, Thiago Flores Carvalho, em março de 2011 o prefeito fez uma contestação, sob o argumento de que estava em andamento um Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos. Em sua última manifestação, Bertoncini pediu um novo prazo de 90 dias, informando que estava em curso a compra de um caminhão de coleta e a desapropriação de um terreno para abrigar o aterro sanitário. Este prazo também já venceu e o MP deve pedir nova manifestação, nos próximos dias, sob pena de dar prosseguimento à ação.
O prefeito, que não é candidato à reeleição, admitiu que o município não conseguiu viabilizar o Plano de Gerenciamento de Resíduos e afirmou que a desapropriação do terreno se mostrou inviável pela proximidade de uma granja de frangos e uma residência. Bertoncini admitiu também que deixará um problema de difícil solução para o próximo administrador. Atualmente a cidade conta com um caminhão de coleta e uma ONG foi fundada para separar e comercializar estes resíduos. O atual lixão ocupa uma área de dois alqueires e está funcionando há 15 anos.

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