Sistema educacional - Rede municipal vai na contramão do fenômeno e cria novas turmas
Contrariando a tendência nacional, a rede municipal de Londrina registrou aumento no volume de matrículas na educação infantil e do 1º ao 5º ano do ensino fundamental, que são as séries atendidas pelo município. Em 2004, a rede registrou 36.271 matrículas. Em 2014, foram realizadas 40.223 matriculas. "Em algumas escolas temos fila de espera", afirma Mariângela de Souza Prata Bianchini,diretora pedagógica da Secretaria Municipal de Educação. Segundo ela, uma das explicações para esta realidade é que o município implantou no período o sistema de cinco anos no primeiro ciclo do ensino fundamental, com antecipação da idade mínima para entrada no primeiro ano, o que obrigou a criação novas turmas.
Só esta explicação, segundo ela, não justifica o aumento. "A população tem confiado mais na qualidade da educação oferecida pelo município", diz. Para a diretora, quando as famílias percebem que a escola pública tem um bom rendimento, repensam a decisão de pagar pela educação formal e optam pelas instituições municipais. "Temos muitos casos de alunos que migram das escolas particulares para as municipais", garante.
No Estado, que oferece educação básica do 6º ao 9º ano e também ensino médio, a implantação do ensino fundamental de nove anos, com inclusão de mais um ano no primeiro ciclo, também é utilizado como uma das justificativas para a queda de matrículas. Conforme a assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Educação (Seed), entre 2008 e 2010 as redes municipais fizeram suas adequações nessa nova formatação de ensino.
Quando as redes municipais passaram a fazer as matrículas do primeiro ano do ensino de nove anos, ao invés da primeira série do ensino de oito anos, ocorreu uma redução grande no que seria a primeira série do ensino de oito anos, correspondente ao segundo ano do ensino de nove anos. Ou seja, os alunos da primeira série no ano seguinte passaram a frequentar turmas da segunda série, que na nova nomenclatura são as turmas do terceiro ano.
De acordo com a secretaria, após quatro anos, entre 2012 e 2014, as mudanças nos anos iniciais refletiram nas matrículas do ensino fundamental das séries finais, o que fica expresso na comparação das matrículas do sexto ano do ensino fundamental na rede pública estadual nos anos de 2011 e 2012, que passaram de 185 mil para 150 mil. O mesmo quadro se repetiu em 2013 para o sexto ano e o sétimo ano, com redução de 72 mil matrículas, conforme informações da assessoria de imprensa.
O segundo fator que explicaria a diminuição de alunos é a redução populacional nos últimos anos para a faixa etária de 0 a 15 anos. Conforme dados do Ipardes repassados pela Seed, no período de 2000 a 2010 a população de 5 a 9 anos baixou 17%, trazendo impactos no número de matrículas escolares registrados em 2012 e 2013.
A assessoria de imprensa da secretaria informou ainda que a diminuição no número de alunos não implica em mais dinheiro para investir na rede estadual, pois o repasse de recursos do FUNDEB para a educação é vinculado ao número de matrículas. (C.A.)





