Os estudantes Heloísa, 12, e Victor, 15, integram desde o início deste ano as estatísticas de crianças e adolescentes que deixaram a rede pública para estudar em escolas particulares. A mãe deles, a gerente administrativa Luciana Rocha Luz, sempre teve intenção de matricular os filhos em instituições privadas. Por falta de condições financeiras para bancar duas mensalidades, porém, acabou optando por mantê-los na escola pública até o ano passado.
Victor está no primeiro ano do ensino médio e Heloísa está no sexto ano do fundamental. Em ambos os casos, a mãe vê grandes diferenças na qualidade da educação oferecida pelos dois sistemas. "Na escola particular, Victor está mais interessado pelo conteúdo. Além disso, a estrutura do colégio é melhor". Uma das diferenças apontadas é o número de estudantes em cada sala, em volume bem menor na instituição privada. "Os professores conseguem dar uma atenção
mais individualizada",
elogia.
Com relação à escola municipal onde estudava Heloísa, a mãe não tem muitas queixas. "As professoras eram atenciosas e ela sempre ia bem nas provas", conta. Os pais, entretanto, acreditavam que a filha poderia se desenvolver ainda mais se fosse estimulada, por isso decidiram pela mudança. "Na nova escola, ela sente que está sendo valorizada e tem um comportamento mais participativo", conta.
Para dar conta das mensalidades escolares, a família teve que abrir mão de alguns passeios e hábitos de consumo que Luciana hoje considera "desnecessários".
"Quando vou comprar roupas e sapatos, priorizo a necessidade, e não a vontade", explica. O investimento, para os pais, vale muito a pena. "Educação é algo de grande valor, acredito que a mudança fará muita diferença na vida deles", diz.
A auxiliar administrativa Luciana Cardoso de Medeiros também tem intenção de matricular a filha Ana Júlia, de 10 anos, em uma escola particular em 2015, quando inicia o 6º ano. Uma das preocupações é a qualidade da educação, mas a principal motivação da mãe é matricular a garota em uma instituição que ensine valores cristãos. "Quero que minha filha tenha esta formação na escola, principalmente durante a adolescência", planeja.
Para conseguir cumprir esta meta, Luciana e o marido já estão fazendo uma poupança para bancar os estudos da filha. "Estamos guardando dinheiro com este objetivo. É um investimento que vai valer a pena", acredita. Quando efetuar a mudança de escola, o casal está preparado para abrir mão de outros gastos. "Não vamos trocar de carro e nem fazer prestações que possam comprometer nossa renda. Vamos priorizar a educação da Ana Júlia", diz.

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