Uma das fugas de presos mais recentes ocorreu na Delegacia de Jandaia do Sul (Norte). Na tarde do domingo passado, um grupo de detidos rendeu o investigador de plantão que entrou na carceragem para levar comida. Segundo a Polícia Civil, os presos estavam com um revólver 38, que teria sido repassado na véspera através do solário - há um terreno vazio nos fundos da delegacia. O investigador rendido foi ferido com um golpe de estoque no pescoço, mas não corre risco de morte.
Fugiram oito presos, dos quais quatro eram provisórios. Os outros já tinham condenação da Justiça, ou seja, não poderiam estar encarcerados em delegacia. Os detidos levaram uma escopeta calibre 12. Parte do grupo fugiu em um Gol descaracterizado da Polícia Civil, já recuperado. Nos dias seguintes à fuga, seis dos oito fugitivos foram recapturados.
Mas esse tipo de situação não é novidade no pequeno município, de pouco mais de 20 mil habitantes. Quatro dias antes da fuga, os presos já haviam tentado escapar da carceragem por um buraco. Em dezembro, 11 detidos haviam fugido da Delegacia de Jandaia do Sul. Seis foram recapturados.
A realidade da delegacia não foge do padrão de outras unidades em todo o Paraná. No dia da última fuga, a prisão estava superlotada, com 53 detidos em um espaço que deveria receber apenas 18.
Dos seis investigadores da delegacia, quatro se revezam no plantão de custódia dos presos. Além desse desvio de função dificultar a investigação de crimes em Jandaia, a delegacia ainda centraliza os trâmites (termos circunstanciados, inquéritos) de outros quatro municípios da região.
Apesar das fugas, os vizinhos da Delegacia de Jandaia do Sul afirmam que não têm medo. ''Eu acho que estar perto da delegacia nos dá segurança. A gente fica um pouco tenso quando ouve falar de fuga, mas é só isso. Os presos fogem para longe. Estou aqui há 30 anos e nunca vi um preso foragido prejudicar ninguém'', relata Cleusa Guilherme Sobreira, proprietária de um mercado localizado quase em frente à delegacia.
O despachante Jair de Castro, que mora a poucos metros da unidade, concorda. ''Os caras que fogem da delegacia não vão ficar no meu quintal. Eles querem é fugir para bem longe da autoridade'', explica.
Gestão compartilhada
O vice-diretor do Departamento Penitenciário do Paraná (Depen), Djalma Pereira de Oliveira, não disse se o número de fugas de presos em delegacias tem aumentado, mas apontou que ''as condições que encontramos hoje nas carceragens fazem com que esse tipo de situação aconteça''. ''Mas não podemos considerar isso normal'', alertou.
O Governo do Estado tem apostado na gestão compartilhada, entre secretarias de Segurança Pública (Sesp) e da Justiça (Seju), das carceragens localizadas em delegacias. Desde o ano passado, foram publicados três decretos, para aplicação desse modelo em 64 unidades em todo o Estado.
''O propósito maior é criar ambientes carcerários melhor administrados, mais humanizados e mais adequados conforme a execução penal, com os presos condenados sendo conduzidos ao sistema penitenciário'', explicou Oliveira.
''É importante lembrar que tudo isso vem de uma situação histórica. As medidas que estamos tomando precisam de mais tempo para termos resultados expressivos'', acrescentou o vice-diretor. No momento, não há previsão de levar a gestão compartilhada a mais delegacias.
Paralelamente, a Seju busca ampliar as vagas no sistema penitenciário. De acordo com o vice-diretor do Depen, a intenção é disponibilizar mais 6 mil vagas até o final de 2014.
O delegado de Jandaia, Ítalo César Sêga, que desde o dia 9 de abril divide a titularidade da delegacia com a chefia da 17 Subdivisão Policial de Apucarana, elogia a iniciativa do governo de repassar a administração das prisões para a Secretaria de Justiça. ''Mas é um processo que leva tempo'', diz o policial.

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