Uma das notícias mais recorrentes na imprensa paranaense é a fuga de presos em delegacias de polícia. Nos últimos dois meses, foram registradas pelo menos 12 ocorrências desse tipo no Estado, nos municípios de Cianorte, Cruzeiro do Oeste, Jandaia do Sul, Antonina, São Jerônimo da Serra, Campo Largo, Assaí, Jacarezinho, Rebouças, Santa Helena, São José dos Pinhais e Londrina.
A situação em que mais fugiram detidos foi no 4º Distrito Policial (DP) de Londrina, onde no final de fevereiro um grupo armado invadiu a unidade, agrediu policiais e libertou mais de 60 presos.
Embora não haja estatísticas para apurar se estão acontecendo mais fugas, o acúmulo de ocorrências em um espaço curto de tempo chama a atenção: a média é superior a um registro por semana.
Também ocorreram tentativas de fugas em Umuarama, Mamborê, Tibagi, Sarandi, Araucária e Terra Roxa. Em Maringá e Cascavel, ocorreram rebeliões de presos em delegacias.
Normalmente, as delegacias onde ocorrem fugas estão superlotadas. Na época da ocorrência no 4º DP de Londrina, a carceragem abrigava 97 presos em um espaço que deveria receber apenas 24.
De acordo com a estatística mais recente do Sistema Integrado de Informações Penitenciárias (InfoPen), do Ministério da Justiça, o Paraná tinha em dezembro do ano passado uma população carcerária de 31,3 mil presos. Destes, 9,3 mil (29,7%) estavam detidos em delegacias de polícia.
André Luiz Gutierrez, presidente do Sindicato das Classes Policiais Civis do Paraná (Sinclapol), considera que a custódia de presos em delegacias e as fugas são resultado de uma ''sequência de erros do Executivo e do Judiciário''.
''A Lei de Execução Penal é clara. Delegacia não é cadeia pública'', diz Gutierrez. ''As fugas têm sido constantes. Colocam em risco os policiais e as populações em torno. Muitas delegacias estão localizadas em áreas residenciais.''
Gutierrez aponta que o Sinclapol já fez pedidos para realocação de presos e desativação de carceragens em delegacias em várias comarcas. ''Mas a resposta é sempre que falta estrutura'', relata.
O presidente do Sinclapol estima que 80% do efetivo de investigadores da Polícia Civil do Paraná está de alguma forma envolvido na custódia de presos, o que caracteriza desvio de função. Outro problema é que em muitas fugas há violência contra os policiais de plantão. ''No caso de Londrina (a fuga de fevereiro no 4º DP), os policiais só não foram mortos porque um preso interveio'', descreve Gutierrez.
Lúcia Maria Beloni Côrrea Dias, presidente da Comissão de Estabelecimentos Prisionais da seccional paranaense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PR), alerta para a necessidade de propor alternativas ao encarceramento e, dessa forma, evitar a superlotação nas prisões das delegacias paranaenses.
''Precisamos da união de todos, Ministério Público, magistrados, todos os envolvidos, no sentido de aplicar medidas cautelares, desde que atendam à legislação, em substituição às medidas restritivas de liberdade'', afirma a advogada.

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