SINAL DE ALERTA - Delegacia investiga mortes no Paran
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sábado, 16 de fevereiro de 2013
Carolina Avansini e<br>Marian Trigueiros<br> Reportagem Local 
Segundo a delegada Paula Brisola, do Núcleo de Repressão aos Crimes contra a Saúde (Nucrisa) da Polícia Civil, somente este ano já foram instaurados 40 inquéritos em Curitiba decorrentes de óbitos na área da saúde. ''Estamos investigando se houve erro ou não.'' Não há um número específico em relação às cirurgias plásticas. Mas a estimativa da delegada aponta que a maior causa seja por complicações na anestesia.
No ano passado, diante de várias denúncias de irregularidades em clínicas de estéticas, sobretudo queimaduras de depilação a laser, uma intensa fiscalização foi realizada. ''Existia muito mais coisa errada do que acreditávamos inicialmente.'' Diante disso, cinco clínicas foram parcialmente interditadas no final do ano passado numa operação do Nucrisa em parceria com a Vigilância Sanitária.
De acordo com Paula Brisola, a operação encontrou desde medicamentos e anestésicos vencidos a equipamentos utilizados sem autorização ou registros. ''O mais grave foi o material descartável sendo reaproveitado, como cânulas de lipoaspiração'', revela. O sucesso da operação, segundo a delegada, se deve, sobretudo, às denúncias feitas diretamente na delegacia. ''Algumas não chegam até nós e só ficam no âmbito administrativo, como no Conselho.''
'Não ficou natural'
Ainda adolescente, a empresária Carla (nome fictício), de 29 anos, submeteu-se a uma cirurgia plástica para correção das orelhas. Na mesma época, há 13 anos, a mãe dela, hoje com 61, fez redução de mamas e abdominoplastia. Os procedimentos foram realizados com o mesmo médico. O que era para melhorar a autoestima de mãe e filha, porém, acabou sendo motivo de arrependimento.
Carla conta que o resultado da intervenção nas orelhas deixou a desejar. ''Ficou cheia de dobras, não parece natural. É bem diferente do resultado que já vi em outras pessoas que fizeram a mesma cirurgia'', conta. A moça acrescenta que, na adolescência, as orelhas ''diferentes'' eram motivo de vergonha. ''Hoje em dia não ligo tanto'', conforma-se.
A experiência da mãe foi ainda mais traumática. O procedimento deixou umbigo e bico dos seios tortos, bem diferente do que se espera ao final de uma intervenção cujo objetivo é melhorar a estética. Como teve uma reação alérgica à anestesia, a paciente não teve coragem de retornar ao médico e exigir a correção. ''Ela não quis submeter-se a uma nova cirurgia'', revela a filha.
Para Carla, o erro da mãe foi escolher o cirurgião plástico com base apenas na indicação de uma vizinha. ''O ideal é fazer uma pesquisa mais completa, ouvindo várias referências'', diz.



