Setor puxa crescimento de matrículas
As instituições particulares foram as principais responsáveis pelo crescimento vertiginoso das matrículas no ensino superior brasileiro nos últimos anos.
Segundo estatísticas do MEC, no ano 2000 havia pouco menos de 2,7 milhões de matriculados em cursos de graduação presenciais superiores em todo o País. Em 2010, a quantia de estudantes havia mais do que dobrado, e superava os 5,4 milhões. Destes, 73,18% frequentavam aulas em escolas administradas por entes particulares. Em 10 anos, o número de matriculados em escolas públicas aumentou 64,78%, enquanto o contingente estudando em instituições privadas cresceu 120,64%.
''Até a década de 1990, era difícil abrir uma escola de nível superior no Brasil. O MEC decidiu então facilitar esses processos, para em um primeiro momento gerar um grande crescimento em termos quantitativos e depois cuidar da qualidade. Acredito que seja nessa linha que o MEC esteja caminhando'', afirma Antônio Raimundo dos Santos, diretor de educação do Instituto Superior de Administração e Economia/Fundação Getúlio Vargas (Isae/FGV). ''Toda medida que propicie um olhar mais apurado sobre a qualidade do ensino superior é benéfica.''
Santos espera que a criação do Insaes resulte em mecanismos mais eficientes de avaliação do ensino superior. ''Já existem critérios de acompanhamento da qualidade, mas o que se questiona é se eles geram a qualidade de ensino que esperamos. Por exemplo, o MEC exige um determinado nível de titulação, tantos professores com mestrado, tantos com doutorado. Isso é importante, mas uma titulação não representa obrigatoriamente que um professor é um profissional eficiente. Se forem adotados critérios menos 'burocratizados' para avaliar a qualidade, será algo positivo'', analisa o diretor. (F.G.)





