Em sintonia com as discussões da 5ª edição do EncontrosFolha, produtores rurais e dirigentes de entidades e empresas ligadas ao agronegócio da região aprovaram a iniciativa e concordaram com os gargalos e oportunidades apontados pelos palestrante e debatedores do evento.
Rafael Rodrigues Fróes, produtor com propriedades em Londrina, Faxinal e Goioerê, destacou que faz investimentos e negociações das commodities sempre atrelados ao dólar para reduzir riscos, como alertou o palestrante Alexandre Mendonça de Barros.
"Acho que a gente tem mesmo de ser bem conservador para fazer a medida do risco no ideal, ou seja, temos que estar com todos os custos de produção travados", afirmou ele, que travou os custos em 18 sacas por hectare, com a saca estimada de R$ 68 a R$ 70.
Fróes também espera que o El Niño traga influências positivas na produção e até no preço das commodities, visto que a seca no Norte e Nordeste pode causar queda na produção. "O excesso de chuva na colheita preocupa um pouco, mas hoje temos tecnologia para lidar com isso", avaliou.
O clima tem favorecido o bom desempenho das lavouras, segundo avalia o presidente da Integrada Cooperativa Agroindustrial, Jorge Hashimoto. "As chuvas estão ajudando a obtermos uma boa safra", comemorou o dirigente, para quem o momento é de muita volatilidade e incerteza. "Todos os investimentos devem ser realizados com um planejamento estratégico", ressaltou.
Para o presidente do Sindicato Rural Patronal de Londrina, Narciso Pissinati, a influência do clima, principalmente em relação ao alto volume de chuvas tem sido muito bom. "Nossa região e todo o Norte do Estado vai ser favorecido por essas chuvas", observou.
Fernando Kireeff, da Agropecuária Terra Roxa, ficou tranquilo quando Barros recomendou fortemente o travamento dos preços. "Também estamos adotando essa política em relação à soja. O nível de incerteza em relação ao câmbio é muito grande e sabemos que o preço em dólar da soja não é o mais favorável neste momento", opinou ele, que negociou em R$ 71,5 a saca.
Por outro lado, ele não escondeu sua preocupação com o quadro macroeconômico exposto. "Se por um lado temos um agronegócio em situação favorável devido ao câmbio, o quadro macroeconômico do país é muito preocupante. Então, enquanto não houver uma solução política e se tome o rumo do ajuste, a preocupação é muito grande", disse.
Francisco Galli, produtor e ex-presidente da Sociedade Rural do Paraná (SRP), também chamou a atenção para a instabilidade política e econômica. "Não é momento de arriscar. Precisamos tentar preservar o que temos e, à medida do possível, o produtor deve ficar em estado de alerta. Procurar plantar o que já tem consolidado e evitar abertura de novas áreas. Mesmo porque o custo do investimento é altíssimo e as incertezas são muito sérias", analisou ele, que ao contrário da maioria dos entrevistados, acredita que o excesso de chuva no Sul e seca no Norte do país podem trazer problemas para a safra. "Tenho notícias de que no Mato Grosso já estão fazendo segundo plantio porque o primeiro frustrou por causa da chuva", opinou.
Já o produtor Ramiro Dias Branco Alves, com propriedade na região de Cambé, considera que o elevado volume de chuvas que tem atingido o Estado pode trazer também alguns contratempos. Mas, de forma geral, ele frisa que o clima tem contribuído para o setor. Em relação à instabilidade econômica, adotou a estratégia de diversificar a produção. Alves atua na agricultura e na pecuária. "A diversificação é vantajosa porque garante a sustentação econômica da fazenda", afirmou.
O presidente da Sociedade Rural do Paraná, Moacir Sgarioni, acredita que os produtores paranaenses estão focados na eficiência para aproveitar o bom momento do agronegócio. "Os preços das commodities estão condizentes com o mercado. Em comparação ao cenário econômico nacional, a situação do agronegócio está boa", opinou ele, que defende uma moeda estável ao invés da especulação causada pelo dólar alto. "A longo prazo, a estabilidade econômica é melhor", acredita.
Ricardo Araújo, que produz grãos em Bela Vista do Paraíso, concordou com a estratégia de travar custos sugerida pelo palestrante do evento. Ele relatou que pretende garantir a cobertura dos investimentos em insumos e, em relação ao resto da produção, aproveitar os bons momentos do mercado. "Em tempos de instabilidade, é preciso tomar cuidado com o endividamento", aconselhou ele, que busca informações constantes no mercado para tomar as melhores decisões. "A expectativa em relação aos preços das commodities é boa", antecipou.
De Cambé, o produtor Valdemir Antônio Bertoletti, assim como os outros entrevistados, travou os custos da produção e até comercializou parte da safra para cobrir as despesas. "Fiquei receoso com a instabilidade", contou ele, que está com insumos comprados inclusive para a próxima safrinha de milho. "O produtor tem que acompanhar o mercado para evitar prejuízos", considera.
Para ele, o atual momento da economia preocupa, mas também traz oportunidades de boas negociações. "Para mim, é o momento de investir na propriedade e tentar crescer para sair na frente quando o cenário econômico melhorar."

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