Sequelas podem ser graves
O médico Felipe Pinheiro, diretor de logística e emergência do Samu em Londrina, afirmou que o serviço de atendimento não costuma receber pedidos de atendimento para vítimas de brincadeiras de não oxigenação na cidade. "Ainda é um assunto bem desconhecido", considera.
Ele alerta, porém, que a prática dos jogos é muito perigosa e pode levar à morte. "Na primeira fase da asfixia, o aumento do gás carbônico no cérebro dá a sensação de uma leve embriaguez. Mas quando essa condição se mantém, a pessoa pode desmaiar e até mesmo sofrer uma parada cardíaca", alerta, lembrando que não tem como saber qual será a tolerância de cada um ao excesso de gás carbônico. "Se a parada cardíaca não for revertida em menos de cinco minutos, pode haver sequelas graves", complementa.
Além da morte, há chances de a vítima perder a visão, apresentar problemas de cognição ou mesmo passar o resto da vida em estado vegetativo. O médico também explica que o fato de alguém praticar os jogos e não sofrer consequências na primeira tentativa não significa que as próximas vezes serão bem-sucedidas. "É uma roleta-russa, a orientação é nunca praticar jogos que ponham em risco a vida."
A coordenadora nacional da ONG Criança Segura, Gabriela Guida de Freitas, alerta que, segundo o Ministério da Saúde, mais de 300 crianças são internadas diariamente no Brasil apenas no Sistema Único de Saúde (SUS) por acidentes como quedas, sufocações, intoxicações e queimaduras. "As crianças são facilmente influenciadas e, apesar dos maiores já terem noção de perigo, o problema é que em geral eles não têm maturidade e acabam se colocando em risco pelo gosto por desafios e aventuras ou até para serem aceitos em um grupo", afirma. (C.A.)





