Após o anúncio de que um único londrinense acaba de faturar R$ 37 milhões num prêmio da mega-sena e que praticamente toda a cidade gostaria ser este felizardo, você acredita que dinheiro compra a felicidade? O estudo chamado Wealth Sentiment Monitor (Monitor de Sentimento de Riqueza) realizado pela empresa britânica de consultoria de investimentos "Skandia International", divulgada no final de 2012, revelou que 80% das pessoas entrevistadas disseram que sim. E mais, a felicidade teria um valor: a cifra média para garantir que a pessoa seja feliz seria de US$ 161 mil individualmente, ao ano, o equivalente a R$ 320 mil anuais.
Aplicada em 13 países com cerca de 5 mil pessoas, o Brasil foi um dos escolhidos para a pesquisa. Dos entrevistados daqui, 93% disseram acreditar que o dinheiro traz felicidade e o valor seria de US$ 143 mil, cerca de R$ 286 mil. O maior valor é o de Dubai, com US$ 276 mil e o mais baixo da Áustria, com US$ 85 mil. Questionado quanto uma pessoa precisaria para ser considerada rica, o brasileiro respondeu US$ 1,63 milhão, ocupando a sétima posição. Curiosamente, o nível mais alto daqueles que se consideram ricos é o do brasileiro, com 25%, ficando na frente de países como Áustria (24%), Dubai (22,9%) e Alemanha (22%).
No Brasil, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) também divulgou uma pequisa com itens parecidos em dezembro de 2012. Intitulada "2012: Desenvolvimento Inclusivo Sustentável", apesar de não fixar valores, o estudo mostrou que a renda familiar é um determinante da felicidade brasileira. A nota média de satisfação com a vida de quem vive com mais de 10 salários mínimos é 8,4, contra 6,5 de quem vive apenas com um salário mínimo. A nota de quem não possui renda nenhuma foi de apenas 3,7.

Realidade
Último levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostrou que o brasileiro precisaria de uma renda de R$ 2.824,92, no mínimo, para manter uma família com dois adultos e duas crianças. De acordo com o supervisor técnico da entidade, o economista Sandro Silva, o valor é estabelecido conforme critérios previstos na Constituição Federal (CF). "A CF diz que uma família deve ganhar o mínimo para manter suas condições vitais e básicas como moradia, lazer, alimentação, educação, saúde, vestuário, transporte, higiene, previdência social", resume.
Mas, o valor pago atualmente é bem menor: R$ 678,00 no mês passado. Apesar de ser mais baixo que o indicado pelo Dieese, o salário mínimo teve uma valorização de 72% nos últimos dez anos. "O salário do brasileiro é muito baixo e tem que aumentar consideravelmente, mas o avanço deve acontecer gradativamente para não termos um caos na economia e geração de desemprego."

Bem-estar
Em contrapartida, o Instituto Akatu divulgou outra pesquisa realizada no final de 2012 com 800 pessoas em todas as regiões do Brasil sobre a percepção do brasileiro com relação ao seu consumo. Uma das perguntas era: "Para você, o que é felicidade?". A tendência de valorizar e associar o bem-estar físico e emocional se confirmou na pesquisa em questão, muito mais do que os aspectos financeiros e a posse de bens. Dois terços dos entrevistados disseram que estar saudável é um fator essencial e 60% consideram o conviver com a família. Apenas três em cada 10 brasileiros indicaram a tranquilidade financeira em suas respostas.

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