Sensação de liberdade cativa jovens
O Posto BP, no centro de Ponta Grossa, é o preferido pelos jovens. Lá, vários grupos se encontram para, depois de algumas cervejas, ir a festas e bares aproveitar a noite. Edson Serigati é um dos frequentadores mais assíduos do posto. Mas diz que nos últimos meses tem frequentado o local só às sextas-feiras e sábados. Antes, o grupo também se reunia às quartas-feiras.
Segundo Edson, o posto funciona mesmo como um ponto de encontro. Lá a turma se reúne para decidir o que fazer nas noites de sexta-feira e sábado. Edson justifica que a grande vantagem de se encontrar no posto é que nestes locais existe mais liberdade. A gente pode ligar o som do carro e escolher a música que quer ouvir, salienta. Além disso, Edson conta que a cerveja é bem mais barata. Em um barsinho a gente paga R$ 1,50 até R$ 2,00. No posto custa R$ 1,00.
Questionado sobre a ameaça a segurança no local devido ao consumo de cigarros e uso de celular, Edson diz que já parou para pensar a respeito. Mas se nem o dono do posto toma uma iniciativa, por que é que eu vou me preocupar? Ele revelou que durante todo o tempo que frequenta postos em Ponta Grossa só foi repreendido por gerentes e funcionários devido ao som alto.
Luciano Ribas, 27 anos, tem uma visão parecida sobre a escolha de postos para encontro de jovens. É uma espécie de QG, define. Como não fuma, garante que não coloca em risco a vida de seus colegas e sua própria integridade. Quanto ao celular, diz que procura deixar desligado.
Para os moradores das redondezas de postos, cigarro e celular não chegam a gerar uma preocupação. O que incomoda mesmo é o som alto e a bebida que, combinada com a direção de veículos, torna-se uma ameaça real.
A vizinha de um desses postos em Ponta Grossa disse que está cansada de reclamar. Ela nem quer mais que seu nome seja divulgado porque, segundo ela, cada vez que se queixa a algazarra aumenta. Se eu reclamo eles aumentam o barulho. É uma provocação, conforma-se.
Quando os gerentes não dão conta de controlar a algazarra, o jeito é apelar para a polícia. O comandante do Pelotão de Trânsito da Polícia Militar, tenente Edmauro Assumpção, informou que nas quartas, sextas, sábados e domingos, a polícia recebe de cinco a seis chamadas por noite para tentar acalmar a situação.
Além do som alto e da algazarra que incomodam os vizinhos, não é raro a ocorrência de brigas, ocasionadas pelo consumo excessivo de cerveja e outras bebidas. E não são só os vizinhos que pedem o auxílio da polícia. Os próprios funcionários dos postos chegam a acionar o plantão da PM, com medo de que aconteça incidente mais grave.





