Sem alfabetização, não há valores
À frente do projeto de extensão ''Ações multidisciplinares para estruturação familiar e inclusão social em bairros pobres do Município de Londrina'', da Universidade Estadual de Londrina (UEL) - realizado em parceria com o projeto social Galera de Deus Escola de Valores na Zona Leste da cidade -, a professora Maria Luiza Marinho Casanova, do Departamento de Psicologia Geral e Análise do Comportamento da UEL, constatou que 90% das cem crianças de 5 a 14 anos atendidas não eram alfabetizadas.
''As ações do projeto têm como focos principais contribuir para que toda criança saiba ler e escrever, goste de estudar, aprenda valores com respeito, verdade, amizade, solidariedade, autoestima e perseverança'', explica ela, acrescentando que, com essa bagagem, os meninos e meninas podem ter oportunidades concretas de quebrarem o ciclo de exclusão social de suas famílias.
Quando começaram a oferecer reforço escolar, entretanto, os coordenadores dos projetos constataram que o apoio individualizado às atividades da escola precisaria ser transformado em alfabetização. ''Quando conheci as famílias, percebi que os pais também tinham passado pela exclusão de não saber ler e escrever. Esse contexto limitava o trabalho voltado para o comportamento, pois não era possível usar livros e outros materiais didáticos.''
Por outro lado, Maria Luiza e a equipe de estagiários identificaram que as crianças tinham muito interesse nas aulas de reforço e alfabetização. ''Eles são ávidos por aprender, pedem tarefas para casa. O que não funciona é o jeito como são ensinados'', defende.
Esse contexto motivou a mudança de planos. A partir do segundo semestre de 2012, os responsáveis pelos projetos planejam começar a oferecer aulas de alfabetização sistemáticas, no contraturno escolar, para crianças de 6 e 7 anos. ''Se elas aprenderem a ler, escrever e noções básicas de matemática, vão fazer pressão na escola regular para aprenderem mais'', espera.
Associado às aulas, continuarão as atividades de aprendizagem de valores e bom comportamento. ''Isso é fundamental para evitar que continuem em risco social ou caiam na criminalidade'', afirma ela, que defende ainda que todos os meninos e meninas sejam tratados com muito respeito. ''Quando são respeitados, eles reagem da mesma forma.''
Maria Luiza acredita que professores e funcionários das escolas devem se envolver afetivamente com os alunos para obter mudanças. ''Pesquisas indicam que é possível tirar crianças da situação de risco através dos elogios, da motivação para irem bem na escola.''(C.A.)





