Sem acesso a direitos básicos
Para a coordenadora do Serviço de Proteção Especial a Crianças e Adolescentes Vítimas de Violência e Exploração Sexual (Creas III) de Londrina, Adriana Aparecida dos Santos, o mais grave de toda esta situação é o que sobra para os adolescentes homossexuais e transexuais: a exploração sexual. "Além da violência que sofrem dentro e fora de casa, existe esta questão da exploração, que os torna ainda mais vulneráveis. Em uma sociedade preconceituosa como a nossa, assumir esta identidade sexual é um risco a mais", afirma.
Rosemeiri Felix de Barros, assistente social do Creas III, ressalta que os riscos oferecidos a crianças e adolescentes vítimas de violência sexual são iguais para todos, mas que, no caso dos homossexuais e transexuais há um ingrediente a mais: a homofobia. Para eles, a rede de apoio é menor e as chances de permanecerem na escola também são menores, assim como as chances de inserção no mercado formal de trabalho. "A exploração sexual torna-se a única forma de sustento que encontram", observa a assistente social, lembrando que há uma rede de pessoas que lucram e se beneficiam com isso.
"Vivemos em uma sociedade muito conservadora e machista, que vê estes adolescentes como objetos, por isso são vítimas de uma vulnerabilidade extrema. As políticas públicas deveriam respeitar os direitos básicos destas pessoas, mas ainda não é o que se vê", admite Rosemeiri. Segundo ela, há a falência de muitas instâncias da sociedade, que ainda não conseguem, por exemplo, acolher estes jovens quando as famílias não os acolhem. O alento, de acordo com a assistente social, é que as instituições públicas brasileiras já vêm traçando diretrizes no sentido de efetivar estes direitos constitucionais. (S.L.)





