Atlético e Vasco foram julgados pelo tumulto em Joinville e receberam punições no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). No primeiro julgamento, realizado em uma das comissões do STJD poucos dias após a briga, o clube paranaense e o carioca foram condenados à perda de respectivamente 12 e oito mandos de campo, sendo que metade deveria ser cumprida com portões fechados, e a multas de R$ 120 mil e R$ 80 mil.

No segundo julgamento, no pleno do STJD, em fevereiro, a pena foi reduzida para nove jogos (sendo quatro com portões fechados) para os atleticanos e para seis (com metade sem público) para os vascaínos. Os valores das multas foram diminuídos para R$ 80 mil e R$ 50 mil respectivamente.

As penas de mandos de campo teriam que ser cumpridas em competições da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Dessa forma, nos seus primeiros jogos como mandante no atual Campeonato Brasileiro, o Atlético teve que jogar em Florianópolis, Brasília, Maringá (duas vezes) e Uberlândia, e depois quatro vezes com portões fechados na Arena da Baixada, reformada para a Copa do Mundo. Na próxima quarta-feira, dia 3, finalmente o torcedor atleticano poderá voltar a ver o seu time jogar no seu estádio, em compromisso pelas oitavas de final da Copa do Brasil, diante do América-RN.

Com os clubes já cumprindo suas punições, resta esperar a responsabilização dos torcedores envolvidos. Ao todo, 31 pessoas respondem a processo na Justiça catarinense – parte ficou presa nas semanas seguintes ao tumulto, mas hoje todos estão em liberdade. Ainda não foram determinadas sentenças.

Desde o início do ano, 17 atleticanos denunciados por participação na briga em Joinville estão se apresentando à polícia paranaense no horário dos jogos do Atlético. Quando a partida é em Curitiba, eles devem se apresentar duas horas antes do jogo, permanecer no local enquanto a bola rola e sair apenas duas horas depois. A mesma medida era válida para partidas do Atlético fora da cidade, mas recentemente houve uma mudança e agora nesses jogos os 17 atleticanos devem apenas passar na polícia no horário da partida para provar que não estão no local do jogo.

"Isso vem acontecendo em cumprimento à decisão da juíza de Joinville. É uma decisão inédita no Brasil, pois cumpre-se (a restrição) antes do julgamento. Se o torcedor não comparece, é decretada a prisão", explica o delegado Clóvis Galvão, da Demafe. A documentação comprovando a apresentação dos torcedores a cada jogo é encaminhada a Joinville. Em janeiro, o Atlético suspendeu os cartões dos torcedores identificados como participantes da briga que eram sócios do clube.

A julgar pelo desenrolar do processo dos envolvidos no tumulto no Couto Pereira em 2009, a sentença dos atleticanos pode demorar. Ao todo, 14 pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público pelo quebra-quebra no estádio do Coritiba. Metade teve sentenças definidas rapidamente, no primeiro semestre de 2011. Todos esses sete torcedores foram proibidos de entrar em estádios por dois anos. Cinco deles foram condenados a pagar multa ao Coritiba por danos materiais e quatro a prestar serviços comunitários.

Entretanto, dos outros sete torcedores, um foi absolvido, e a situação dos outros seis, que respondem por invasão de campo e tentativa de homicídio de um policial militar durante o tumulto, se arrasta na Justiça. Em janeiro do ano passado, houve pronúncia para que fossem a júri, mas as defesas apresentaram recurso. O processo foi remetido no último dia 15 ao Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), que vai apreciar as contestações.

No STJD, o Coritiba foi punido com a perda de 10 mandos de jogo e cumpriu a pena disputando essas partidas em Joinville na Série B de 2010. (F.G.)

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