Em atendimento no Centro de Atenção Psicossocial Infantil (Caps 1) de Londrina há cinco anos, o adolescente Carlos (nome fictício), de 19 anos, lida com uma depressão acentuada desde a infância.
Bom aluno e bom filho, por muito tempo ele enfrentou sozinho a tristeza e as reações físicas causadas pelo transtorno. Aos 14 anos, após procurar um médico para investigar uma palpitação no coração que nunca melhorava, foi encaminhado para tratamento no serviço especializado em saúde mental e, desde então, aprendeu a lidar com o problema.
A primeira crise foi considerada leve. "Tive alta em oito meses", conta ele, que toma medicação de uso contínuo para controlar a depressão. Em 2012, porém, viveu dias difíceis quando enfrentou uma crise mais profunda.
"Eu era perfeccionista, me cobrava muito e não conseguia suportar o sentimento de culpa. Quando a dificuldade é a gente mesmo, é muito difícil superar, porque temos que nos aguentar da hora que acordamos até a hora de dormir", analisa.
Ciente de que tinha o transtorno, entretanto, ele procurou o Caps espontaneamente e revela que foi muito bem atendido. Hoje é capaz de identificar quando as crises se aproximam e procura ajuda antes de piorar. "Agora sei me proteger", acredita.
O rapaz afirmou que apresentava um humor depressivo desde os quatro anos de idade. Como ocorre com muitas crianças com o mesmo problema, entretanto, achou que fazia parte da própria personalidade. Viveu anos de sofrimento e insegurança até receber um diagnóstico e o tratamento. "Ganhei autonomia e independência. Hoje acredito mais em mim", avalia o adolescente, que está confortável com a doença. "Sei que não estou mais sozinho."
Carlos, que trabalha como auxiliar administrativo, incorporou os remédios à rotina e, por ter aprendido a conviver com a depressão, faz planos para o futuro. "Quero estar bem comigo mesmo. Pretendo ter uma família e uma vida feliz." (C.A.)

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