SEGURANÇA PÚBLICA - Vale do Ivaí tem 15 cidades livres de assassinatos
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sábado, 05 de abril de 2014
Celso Felizardo<br> Reportagem Local 
Borrazópolis Dos 26 municípios pertencentes à área de abrangência da 17ª Subdivisão Policial (SDP) de Apucarana, 15 não registraram um único homicídio no ano passado. É o melhor desempenho entre as 21 subdivisões do Paraná. Se considerado os dois últimos anos, a lista continua com 11 entre os mais seguros do Estado, incluídos no grupo de homicídio zero. São pequenos municípios do Vale do Ivaí, com população que varia entre 2,4 mil e 8,4 mil habitantes, onde os moradores podem sair às ruas sem se preocupar com a violência.
Em Borrazópolis, os 7,7 mil habitantes dispõem apenas de uma equipe da Polícia Militar por turno. Polícia Civil só na delegacia que fica na sede da comarca, na vizinha Faxinal. As queixas, no entanto, são poucas. O último homicídio registrado na cidade foi em 2011, lembra o coveiro do Cemitério Municipal Valdevino de Morais, de 51 anos. "Aqui quase não tem dessas coisas (assassinatos), mas quando acontece, choca todo mundo", conta.
Pelo centro da cidade, os comerciantes deixam mercadorias expostas nas calçadas, sem vigilância. A presidente da Associação Comercial e Empresarial de Borrazópolis (Aceb), Elaine Baptistella, relata que não há reclamações de nenhum dos 38 associados em relação à insegurança. "Aqui é tranquilo, o único medo do povo é com quadrilhas de fora que assaltam bancos e a lotérica." No início do ano passado, bandidos explodiram o caixa eletrônico da agência do Banco do Brasil. Em seguida, a lotérica foi assaltada duas vezes.
A gerente da casa lotérica Cristiane Garcia Rodrigues teve que investir R$ 20 mil para blindar a área administrativa. "Infelizmente, as instituições bancárias são alvos em todas as cidades pequenas. É preciso tomar medidas para se proteger. Mas nas ruas, não tenho problemas", relatou.
Segundo a Polícia Militar, os crimes mais comuns são lesão corporal grave (Maria da Penha), furtos e perturbação de sossego. Na tarde de segunda-feira uma comerciante acionou a PM para conter um senhor com problemas mentais que cortava galhos de árvores da rua. "A maioria dos casos são esses", brinca.
Na pequena Novo Itacolomi, de 2,9 mil habitantes, o agricultor João Rodrigues Filho, de 60 anos, disse considerar a cidade pacata, mas com ressalvas. "Eu ando bastante, à noite inclusive, mas não dou chance para o azar." Segundo ele, a maior vantagem da cidade é que todos se conhecem. "Quando chega um estranho aqui já ficamos de olho. Se tiver um comportamento estranho, acionamos a polícia."
Rodrigues conversou com a reportagem enquanto acompanhava o cortejo do corpo de um amigo, pioneiro de 78 anos, "Graças a Deus, as mortes aqui são quase todas por causa natural. Morte é sempre triste, mas melhor que seja assim."
O comandante do destacamento local, sargento Edvaldo Reinaldo da Silva, lembrou que em 2012 a cidade registrou um homicídio, mas disse que este tipo de crime não é frequente. A média de furtos registrados ma cidade, por exemplo, é de dois a três ao mês.


