Uma crítica à definição de sa© úde mental feita pela Organiza ção Mundial da Saúde (OMS). Este foi o teor da conferência do psiquiatra Maurício Knobel durante a 3 Semana de Psicologia da Subsede de Londrina, que terminou ontem. Segundo Knobel, que é membro da Federação Internacional de Psicoterapia Médica da Suíça e autor de mais de 250 trabalhos publicados em vários países, a OMS define saúde mental como o completo bem-estar físico, social e mental, o que, nos dias de hoje, é praticamente impossível.

''Eu lanço o desafio de dar um prêmio a quem apresentar este completo bem-estar. Estamos vivendo uma severa crise social e isso, por si, já leva a um desequilíbrio mental. É impossível aceitar esta diferença de classes baseada no poder econômico'', disse. O psiquiatra apresentou alguns conceitos de saúde mental que considera mais adequados aos dias de hoje, como viver cordialmente com outras pessoas e apresentar produtividade com satisfação social e sexual (dois temas que ainda são tabus e frequentemente alvos de distorção).

Para Knobel, as reportagens que mostram seres humanos matando outros seres humanos por motivos econômicos e religiosos mostram também que estamos longe de ter saúde mental. ''Para mim, a guerra da Irlanda, entre dois grupos cristãos, é o exemplo de contrasenso máximo.'' O psiquiatra, que também é professor titular convidado da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Campinas (Unicamp) ainda reforça: ''As guerras e os desajustes econômicos conspiram contra a saúde mental. Levam a uma vida cada vez mais neurótica e psicótica.''

Knobel reconhece a dificuldade de viver num mundo como o de hoje sem adoecer. Ele lembra que a corrupção parece algo tão normal que as pessoas passam a se perguntar se os doentes não seriam os não corruptos. ''Diante de tantas injustiças, não podemos falar em democracia. Soa como uma falta de bom-senso'', defendeu. Na opinião do professor, para atingir ''um certo nível'' de saúde mental será preciso lutar por uma qualidade de vida melhor para todos.

Maurício Knobel é o idealizador da chamada psicoterapia breve, também conhecida como psicoterapia de tempo e objetivos limitados. O método, segundo o psiquiatra, nasce da união de diversos conceitos, tornando possível fazer com que a psicoterapia se torne acessível a todos. ''Precisamos tirar o elitismo da psicoterapia analítica e levá-la à população em geral.''

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