Quatro prefeituras paranaenses se mobilizaram para garantir a instalação de um curso de Medicina, fator considerado pelas administrações municipais como decisivo na luta contra a escassez de médicos e contra a evasão de profissionais da área da saúde, com impacto positivo no atendimento básico e em programas de medicina preventiva, como o Saúde da Família.
Na primeira fase, Brasília escolheu os municípios que terão a chance de receber o empreendimento. Garantiram o direito Campo Mourão (Centro-Ocidental), Guarapuava (Centro-Sul), Pato Branco (Sudoeste) e Umuarama (Noroeste). No Sul do País, outros cinco municípios foram contemplados, Erechim, Ijuí, Novo Hamburgo e São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, e Jaraguá do Sul, em Santa Catarina.
De acordo com a política do governo federal para o setor, as novas escolas – um dos braços do Programa Mais Médicos - vão suprir a falta de instituições do gênero nestas regiões, onde vivem cerca de 1,7 milhão de paranaenses, população semelhante a Curitiba. O interior do Estado passará a ser o mais bem servido de escolas médicas no Sul, com nove municípios dispondo da estrutura, enquanto o Rio Grande do Sul terá oito e Santa Catarina, quatro.
Conforme o MEC, o edital para selecionar as instituições ainda não tem formato definido e nem data de publicação prevista, mas as articulações políticas e a mobilização nas praças, iniciadas na fase da escolha dos municípios, devem prosseguir nos próximos meses.
Há grande expectativa em relação à visita da equipe técnica do ministério este mês. A maioria das instituições que já mostraram interesse em participar do próximo edital planeja a abertura de processo seletivo no final deste ano. Para convencer os avaliadores, as faculdades precisarão de um proposta consistente para compor o corpo docente e na oferta de hospitais-escolas.
Sem o modelo do edital, o montante do investimento para colocar os cursos em funcionamento ainda é incerto. Especialistas ouvidos pela FOLHA acreditam que cada nova escola custe cerca de R$ 5 milhões e o conjunto delas cerca de R$ 20 milhões. Em todas as praças selecionadas, a expectativa é que o curso já esteja funcionando no ano que vem e que a primeira turma esteja formada ainda nesta década.

Vitória política
Em um ano eleitoral, as quatro cidades selecionadas festejaram a seleção como uma grande vitória política. Os sites da prefeitura destacaram a notícia e fizeram questão de vincular a conquista ao bom relacionamento dos prefeitos com o governo federal. "Não é uma boa notícia apenas para Campo Mourão, mas para 25 municípios da região. Tenho certeza que a escola de Medicina terá um impacto muito positivo para a saúde pública e para o desenvolvimento econômico. Iniciativas como esta, além de combater o deficit de médicos da região, evitam a migração dos nossos jovens para grandes centros, aquece o ramo imobiliário e induz investimentos para transformar a cidade em um polo médico", disse à FOLHA a prefeita de Campo Mourão, Regina Dubai (PR), uma das mais entusiasmadas com a notícia.
Em Campo Mourão, as instituições mais cotadas para vencer a concorrência pública são a Faculdade União, conhecida como Unicampo, e a Faculdade Integrado, chamada de Cies. Renato Pacholek, presidente da mantenedora da Unicampo, informou que um bloco de quatro andares está em construção e poderá ser usado para as aulas teóricas, mas que a maior parte do investimento está concentrada na aquisição de equipamentos para o laboratório que já serve ao curso de Biomedicina e na compra de livros do setor de saúde, incrementando o acervo da biblioteca.
O conjunto de hospitais-escolas indicados nas propostas deve ser composto por três santas casas – além de Campo Mourão, as de Goioerê e a de Terra Boa – e a Policlínica São Marcos, em Campo Mourão.
Em Umuarama, a instituição que surge com maiores chances de vencer a concorrência pública é a Unipar, uma das principais instituições de ensino do interior do Estado, que pleiteia o curso desde os anos 1990. Em nota, a assessoria de comunicação da universidade ressaltou que o clima é de "ânimo total" para enfim conseguir a autorização. A instituição também destaca o "grande interesse dos estudantes da região" pela escolha da instituição. Segundo a mesma nota, pela proposta que deve ser avaliada in loco pelo MEC a residência médica seria feita nos hospitais Cemil, São Paulo Norospar e o Nossa Senhora Aparecida.
Em Guarapuava, duas instituições já mostraram interesse: as faculdades Campo Real e Guairacá. A primeira confirmou à FOLHA que já tem uma estrutura montada para receber o curso, enquanto a segunda se posicionou de forma mais cautelosa. "Contamos com a tradição da instituição, que tem cinco cursos na área da saúde, para participar da licitação. No entanto, sem conhecermos o modelo não é possível dizer que, de fato, vamos concorrer. Seria muito prematuro", afirmou o diretor-geral, Juarez Matias Soares.
Em Pato Branco, a Fadep e a prefeitura trabalharam em conjunto pela seleção do município. A instituição informou que desde 2006 tenta autorização junto ao MEC e que desde então está montando a estrutura para o curso. "Já investimos R$ 6 milhões", informou o diretor-geral da faculdade, Eliseu Miguel Bertelli. Na proposta que deve ser analisada pelo MEC, dois hospitais vão abrigar a residência médica, o Hospital São Lucas e a Policlínica Pato Branco.

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