SAÚDE E EDUCAÇÃO - CRM projeta estrutura precária
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domingo, 12 de janeiro de 2014
Lúcio Flávio Moura<br> Reportagem Local 
Os conselhos de Medicina têm uma visão cética em relação aos esforços do governo federal em interiorizar a formação de novos profissionais. Na visão destas entidades, não há deficit de médicos no País e sim uma realidade de estrutura precária fora das capitais e das grandes cidades do interior, o que resulta numa má distribuição de profissionais.
Dentro desta mesma avaliação, as novas faculdades são desnecessárias e colocam em risco toda a sociedade por causa da formação deficiente, com poucas aulas práticas e com corpos docentes incompletos. "É uma falácia dizer que faltam médicos no País. Eles são suficientes, mas estão mal distribuídos porque não há política pública de valorização da saúde e dos profissionais do setor", declarou no ano passado o presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Roberto Luiz D''Ávila.
No Paraná, a opinião da entidade que representa a categoria é a mesma. "A decisão por novas escolas é eleitoreira, dá a falsa impressão que o atendimento à população vai melhorar. Não faltam médicos. Falta infraestrutura, falta equipamento, falta insumo, medicamento", afirma o presidente do CRM, o pediatra Maurício Marcondes Ribas.
O cenário mais provável na visão do conselho paranaense é que as novas escolas, instaladas em cidades menores apenas Guarapuava tem mais de 150 mil habitantes (exatamente 175.779, de acordo com a estimativa oficial para 2013; uma delas tem menos de 80 mil, caso de Pato Branco, com 77.230) sofram com o desinteresse dos médicos em lecionar e com a estrutura deficiente dos hospitais-escolas. "Que tipo de profissional vamos formar nestas escolas? Creio que os estudantes vão ter pouca experiência prática com a falta de condições nos hospitais e nos ambulatórios. Também vão sofrer com a rotatividade do corpo docente porque até mesmo grandes faculdades encontram dificuldades para compor o quadro".
Ribas também não acredita na tese de que o período da residência é definitivo na fixação do médico na praça. "Já foi comprovado em pesquisas que os profissionais até podem ficar alguns anos onde se forma mas logo migra para regiões que ofereçam uma remuneração melhor e que abriguem estruturas hospitalares mais complexas e sofisticadas", afirma.
Inquestionável
O coordenador do curso de Medicina da Universidade Federal do Paraná, Edison Luiz Almeida Tizzot, discorda. "A preocupação do conselho é infundada. O MEC estabeleceu critérios e vai observá-los para a criação das escolas. Não creio que haverá problemas com os hospitais escolas e com ambulatórios. A exigência em relação a estas estruturas é clara", opina. Tizzot acredita que a faculdade tem impacto positivo no sistema de saúde, torna a praça uma referência no setor e atrai procedimentos de maior complexidade para o local. "Não discuto se o número de médicos no Brasil é suficiente ou não. Isso é ainda muito controverso. O que é inquestionável é que precisamos levar a formação também para o interior", afirma.
De acordo com o CFM, nos últimos 25 anos o país teve uma explosão na abertura de escolas de Medicina, com crescimento de 137% no período. Quase dois terços delas estão nas regiões Sul e Sudeste. Na nova geração de escolas, a maioria é particular (114). Das 83 públicas criadas no período, 15 são federais.


